02 novembro 2008

“Porque nem todos os que são de Israel são israelitas”

Não seria exagero algum dizer que a igreja contemporânea jamais foi tão desfiada nos seus esforços para manter um padrão bíblico. A medida de seu notável crescimento, também avança dentro da igreja “falsos mestres”, que além de utilizar a igreja aproveitam à mídia (livros, TV, rádio...) para promoverem suas mensagens distorcidas.

Nenhuma geração tem sofrido tanto aos ataques de falsas doutrinas; isso só reforça a necessidade e dedicação ao estudo da Bíblia, e uma cuidadosa atenção aos princípios da interpretação bíblica são imprescindíveis aos cristãos de hoje.

Mesmo entre a comunidade cristã, as falsas interpretações das Escrituras são abundantemente exemplificadas, ilustrando a estupidez de alguns “mestres” de achar que suas heresias são infalíveis, desconhecendo assim as diretrizes gerais para uma interpretação apropriada.

Devemos entender que os ensinamentos de Arminius, Wesley, Zwingli, Calvino ou qualquer outro teólogo, não suplantará a crítica textual quando houver questões sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura.

Tendo o Senhor o conhecimento do curso integral de acontecimentos que são futuros do ponto de vista humano, Deus utiliza Sua Palavra para alertar, admoestar, comunicar fatos que ao homem são impossíveis, assim sendo, demonstra toda Sua graça e poder ao gênero humano.

Ignorando normas da exegese, a doutrina calvinista perde o ponto do equilíbrio e da relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade do homem. Não que toda obra e conceito de João Calvino venham a ser desprezados (I Ts 5:21), longe de mim; pois a apreciação de Calvino acerca de um quádruplo ministério, revela que a assistência social estava entre as suas principais preocupações e seu pensamento social sobre riqueza e pobreza, bem-estar social e questões correlatas fazem deste reformador um expoente nesta tese absolutamente necessária à sociedade.

Segundo o próprio adepto da teologia calvinista Charles H. Spurgeon, a doutrina da predestinação é um mistério (incompreensível, inexplicável), que o texto de Romanos 9 é “assustador” (entendemos aqui sua visão da Divindade), e aquele que pensa compreender o propósito deste ensinamento se faz desconhecedor, assim como ele dizendo-se incapaz de explicá-la.

Martinho Lutero para defender esta espúria doutrina fatalista chegou ao ponto de declarar que os homens que rejeitavam a eleição (segundo a teologia calvinista), tentavam impedir “Deus de ser Deus”, e seu conceito determinista ganhou popularidade.

O autor da literatura “Teologia dos reformadores” Timothy George, fala que o conselho básico de Lutero era característico dos eleitos, não dos réprobos, que tremem em face dos desígnios ocultos de Deus.

O trecho em negrito acima nos lembraria alguém? Leiam “Jacó e Esaú” por Charles H. Spurgeon e tirem suas próprias conclusões (é assustador! Rs!).

Mas a questão é: Teria o Senhor Deus prazer em ver homens tomando as atitudes de Faraó, Esaú, Saul, dentre vários outros; e impondo Seu soberano poder os capacitar e predestinar a serem malignos e subsequentemente perderem-se para todo sempre?

Vamos analisar algumas passagens de Romanos 9, texto utilizado como indício por calvinistas para a doutrina bastarda da predestinação fatalista:

“Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor.
Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú.
Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma.” Rm 9: 12 à 14

Esta passagem das Escrituras que ampararia a idéia do assombroso decreto, examinada sozinha aludi proporcionar apoio para a predestinação fatalista. Mas como texto fora do contexto é pretexto para heresia; vamos esquadrinhá-la.

O capítulo 9 de Romanos trata da eleição de Israel no passado, ou seja, do plano de Deus para a nação judaica. O apóstolo utiliza para melhor compreensão de seus “parentes segundo a carne” (vers. 3), o nome dos antepassados Abraão, Isaque, Jacó e Esaú, para elucidar o propósito de Deus para com os gentios, e como Seu povo Israel que buscava a lei da justiça, não veio a encontrá-la.

Como disse anteriormente as profecias tem como finalidade: alertar, admoestar, comunicar fatos que ao homem são impossíveis e nesta passagem não é diferente!

Porque Deus profetiza a Rebeca que seu filho maior serviria ao menor?

Simplesmente porque tanto Rebeca como nós procederíamos segundo nossa própria limitação e atenderíamos aos desígnios já estabelecidos, e como se entendia que a benção da primogenitura é uma sucessão, logo o abençoado seria Esaú e não o menor Jacó.

Deus então estabelecia segundo Sua presciência “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal” (vers. 11a) Sua graça, comunicando aos pais o que só Ele poderia saber “o futuro”; o Senhor é conhecedor de todas as coisas, Ele sabia que a geração que iria se levantar através de Esaú (o pai dos Edomitas) seria de enorme hostilidade e crueldade. Um povo sanguinário como este não poderia ser a nação eleita do Deus de Amor!

Então o fato de Paulo dizer “como está escrito” (vers. 13) ratifica o texto de Malaquias citado pelo apóstolo, que fala sobre um povo impiedoso na qual a ira de Deus esta posta para sempre (devido às ações perversas de Edom), e não das pessoas de Jacó e Esaú. Daí a afirmação “De maneira nenhuma” proferida por Paulo ao levantar uma questionamento sobre se Deus estaria agindo com injustiça. O contexto revela “POVOS e não INDIVÍDUOS”!

Literalmente, Esaú jamais serviu a seu irmão Jacó. Quando é dito em Romanos 9:12 que “o mais velho servirá o mais novo”, a profecia somente teve execução com os seus descendentes.

Assim também o versículo 17, que de forma isolada da uma idéia de determinismo por parte de Deus a faraó, mas quando aplicada ao contexto entendemos o contrário da doutrina calvinista:

“Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.” Rm 9:17

Deus tentaria (induzir ao mal) ao homem? Porque “levantar” com alusão de ver “cair” é maligno; ou não é?

E até onde esse levantar se aplica a este significado, visto a Palavra de Deus em Tiago que diz:

“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.
Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” Tg 1:13-14

O significado é apenas que Deus o levantou como um homem, de forma que Deus lhe deu o seu poder, seus talentos, sua posição, e sua honra; e que Deus o levantou como um rei, de forma que ele lhe deu o seu trono, reino e domínio!

Paulo esta falando sobre eleição e reprovação soberana, então o endurecimento do coração de Faraó é atribuído a Deus, devido seu princípio divino de entregar aos seus próprios desejos (Rm 1:24) os que persistem em rebelião a Sua Palavra (Rm 9:18).

Vejam:

“Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; E todo aquele que crer nela não será confundido.” Rm 9:33

Se atentarmos para a proposta estúpida desta doutrina, devemos então entender que Jesus Cristo foi posto por tropeço aos judeus e não como diz as Escrituras em João 1:11 (“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.”); pela incredulidade dos mesmos é que Cristo foi o tropeço para aquela nação e não porque Deus teria enviado Jesus para ser tropeço ao Seu povo!

Termino este estudo com um convite a todos aqueles que crêem no Deus que não faz acepção, que te ama e chama a todos para um concerto solene em Sua santa e majestosa presença:

“E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve diga: Vem. E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida” (Apocalipse 22.17)

Eduardo Neves.

“E Ele [Jesus] é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1João 2.2)

28 outubro 2008

“Ignorais que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?”


Vivemos tempos difíceis, em que à sociedade contempla suas paixões infames e continuam não se importando em ter conhecimento de Deus e Sua maravilhosa graça. Assim o pecado vive e reina nos corações insensatos dos néscios, homossexuais, incrédulos e de toda casta iníqua que compõe este ambiente que nos rodeia, trazendo às concupiscências imundas de seus pensamentos a prática rotineira de suas vidas.

Sabemos que a punição por toda esta perversidade, mentira e maldade dos homens é a morte! Rm 6:23

Segundo a teologia calvinista, o homem é incapaz de conhecer a justiça de Deus, sem que este venha a ser atraído e convencido (de forma “exclusiva” e “irresistível”) pelo Espírito Santo ao arrependimento, devido à absoluta depravação do gênero humano.

Surge uma indagação: O apóstolo Paulo cita em sua epístola aos Romanos toda classe de iniqüidade para condenação de seus praticantes (prostituição, malícia, avareza, maldade, inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade e etc.), mas logo em seguida afirma que essas pessoas conhecem a justiça divina! Rm 1:29 à 32

Ora; sendo todos inescusáveis e conhecendo a Deus (segundo a manifestação divina, através de Sua criação), seria impossível os homens ficarem inábeis (desconhecer) do juízo em relação a suas devassas práticas de imoralidade. Rm 1:20-21

Se o homem não tivesse autoconsciência e livre-arbítrio, não teria culpa de absolutamente nada. E um estuprador ou qualquer outro malfeitor não poderia ser acusado nem condenado, pois esta seria sua única opção. Então, Deus, que o criou assim, não poderia puni-lo; afinal, sem livre-arbítrio, ninguém poderia agir de outro modo.

A verdade é que milhões de homens a cada minuto ignoram a benignidade divina, devido à dureza de corações impenitentes, omitindo-os de suas responsabilidades morais, o qual a recompensa será segundo as obras de seus atos. Rm 2:5-6

Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências,
E dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.
Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste
.” II Pe 3:3 à 5

Vejamos que nos dois primeiros capítulos de Romanos, o apóstolo trata a dureza do coração dos pecadores em referência ao desprezo dos tais a pratica do bem, por isso suas declarações em toda carta fazem analogia ao estado caliginoso dos pecadores que resistem à chamada do Evangelho de Cristo:

Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje.” Rm 11:8

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;” Rm 1:24

O ato de eleição não é (a rigor) parte da aplicação da salvação a nós, visto que se tornou disponível desde antes que Cristo obtivesse a nossa salvação (sacrifício da cruz), mas sabemos que ela é condicionada pela fé mediante a obediência, e não por preferência divina.

O Senhor Deus recompensará cada um segundo as suas obras (“responsabilidades e atos” / “não se entenda obras da lei”); a saber: “A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção;
Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade
;” Rm 2:6-7-8.

E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;” Heb 5:9

E não é pelo simples fato de serem impostas ao homem responsabilidades sobre suas obras, que faz dele merecer ou obter mérito pela graça concedida, pois toda honra e glórias pertencem aquele que os justifica de seus pecados mediante a fé (prática / Tg 2:14 à 17), a saber, Jesus Cristo.

Então onde reside a total incapacidade do homem “natural” (o termo natural é utilizado por adeptos do calvinismo, porque crêem serem “especiais” / doutrina da graça irresistível)?

Entendemos que os homens devem procurar a verdade que já lhe é oferecida; logo compreendemos que a natureza corrompida não nos torna incapaz ou que vivemos em total escuridão que não tenhamos ciência da justiça de Deus. Esse chamado é ende­reçado a pessoas genuinamente capazes de ouvir o convite e de responder a ele (ou não!).

O Evangelho de Matheus nos elucida muito bem este conceito no capítulo 22 na conhecida “Parábola das bodas”. Primeiramente apontado para os judeus, ela se estende a todos aqueles para quem o evangelho é pregado; notemos também que a salvação oferecida pelo evangelho é rejeitada por muitos daqueles a quem ela é oferecida e que o convite é feito sem predileção (vers. 9).

Percebemos que os diligentes procuraram confirmar a vocação e eleição. Então; logo não seria por preferência, mas por obediência ao Rei!

Tenhamos cuidado de não recusar ao que fala (Heb 12:25). Não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios (1 Ts 5:6). O Rei em breve entrará para ver os convidados. Já recebemos ou não a veste nupcial? Já nos revestimos de Cristo? Essa é a grande indagação levantada por esta parábola.

"Muitos são chamados, mas poucos escolhidos". Mt 22:14

Deus endurece aqueles que persistem em rebelião a Sua Palavra (Rm 9:18) e os entrega aos seus próprios desejos (Rm 1:24).

Se voltarmos ao Velho Testamento veremos que as primeiras pragas abrandaram por certo tempo o coração do Faraó, mas quando o Senhor sustava cada praga seu coração endurecia novamente; ou seja, sempre que Deus agia com misericórdia Sua graça estava sendo concedida a Faraó e seu povo, mas devido ao coração impenitente do egípcio, Deus agia segundo seu princípio divino e o entregava aos seus próprios anseios malignos.

Muitos calvinistas utilizam à passagem abaixo de forma isolada para alicerçar sua doutrina fatalista:

Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.” Rm 9:15

Vamos entendê-la a partir de todo um contexto e não de forma destacada, então para isto vamos ver o motivo destas palavras do Senhor ao Seu servo Moisés:

Então disse o SENHOR a Moisés: Farei também isto, que tens dito; porquanto achaste graça aos meus olhos, e te conheço por nome.
Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória.
Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer
.” Ex 33:17 à 19.

Fica notório que as atitudes piedosas e benignas de Moisés eram bem vistas aos olhos de Deus! Diferentemente dos atos de muitos, que não eram vistos por Deus dá mesma forma:

Disse mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz.” Êx 32:9

Será que Deus agiria da mesma forma se Moisés tivesse as ações de Arão que atendeu aos pedidos do povo, fazendo assim um bezerro de fundição para adoração pagã dos hebreus?

Deus concede liberdade (livre-arbítrio) ao homem para optar por seu caminho! Ele apenas diz:

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Jo 14:6

Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem
.” Mt 7:13-14.

Alguém pode resistir à graça de Deus?

Resposta: Faraó e várias gerações ao longo dos séculos.

Logicamente existem conseqüências por esta desobediência ao Senhor.

E qual será o castigo por esta resistência?

Resposta: A mesma punição aplicada a Faraó, e a todos que rejeitam ao chamado de Deus diariamente e se entregam aos seus próprios deleites pecaminosos: morte, maldições e condenação eterna.

Por isso diz Paulo:

“E, se a nossa injustiça for causa da justiça de Deus, que diremos? Porventura será Deus injusto, trazendo ira sobre nós?” Rm 3:5

Seria então a graça irresistível?

“E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas para vós de salvação, e isto de Deus.” Fp 1:28

“E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.” II Tim 3:8

“Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade,
E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos.” II Tim 2:25-26

* (Neste último texto está explícito que os resistentes a graça de Deus são entregues aos seus próprios desejos).

A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.

Eduardo Neves.

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,” Tito 2:11

18 outubro 2008

Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata!


A expressão Maranata (מרנא תא) é composta de dois termos aramaicos que significam “O Senhor vem” ou “Senhor, vem logo!”. O apóstolo Paulo emprega essa palavra em sua primeira epístola aos Coríntios no capítulo 16 versículo 22; e no livro do Apocalipse, João faz a mesma menção à expressão utilizando-a como uma oração, desta feita no idioma grego, e traduzido por: “Vem, Senhor”.
Utilizada nos cultos para invocar a presença de Deus na Ceia, esta expressão anunciava o anseio do povo ao regresso do Senhor para estabelecer seu Reino na terra. O costume da palavra nos tempos da Igreja primitiva apontava uma forte esperança dos cristãos de que Jesus Cristo retornaria; essa certeza era avigorada pelo poder e sinais que Deus operava em seu meio, comprovando que Ele estava vivo e habitava no meio do Seu povo.

Vivemos a consumação do século, a conclusão de um período, e não apenas o passar de um tempo. A tribulação é comparada nas Escrituras "às dores de parto de uma mulher grávida" (1 Ts 5.3); falsos cristos, guerras, fome, terremotos, epidemias e todas estas coisas anunciam o início das dores. Na sua amplitude e dor, essa época será triste e indesejável.

Mas o que vem me chamando mais atenção é a falta de amor no ambiente familiar, revelando infelizmente, lugar de conflito e opressão, ou então vítimas indefesas das numerosas formas de violência que caracterizam a pecaminosa sociedade atual.

O repúdio e maus tratos as crianças são o triste prenúncio de uma paz familiar já gravemente afetada, e que não pode ser restituída, por certo, pelo deplorável recurso da separação dos cônjuges, e, igualmente, pela solução ao divórcio, verdadeira “peste" da sociedade contemporânea.

Abusadores pedófilos, geralmente começam a cometer atos de natureza sexual a crianças em tenra idade, frequentemente extra familiares; no caso de incesto entre pai e filhos, acredita-se que a maioria das agressões envolve pais que são abusadores oportunistas, ao invés de pedófilos.

Aí me lembro desta passagem: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.” Mt 24:12

Vejam:

*Pai mata filho para se vingar da ex-mulher*

Um homem de 25 anos matou o filho de quatro anos a pedradas na manhã de hoje em Gramado Xavier, no Vale do Rio Pardo, e feriu o outro, de um ano e dez meses, com uma facada na nuca. Segundo a Brigada Militar, ele estava separado da mãe das crianças há cerca de duas semanas e, no início da manhã de hoje, entrou da casa da família para se vingar.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a1757983.xml&000


*Mãe é presa por oferecer filha para atos sexuais*
Uma mulher de 33 anos foi detida no domingo passado em Sitges (litoral da Barcelona) por oferecer sua filha de dois anos para atos sexuais, informou a Guarda Civil nesta quarta-feira.
Fonte:
http://bbcnews.com.br/index.php?p=noticias&cat=172&nome=Brasil&id=112242


Notícias como essas invadem nossas casas diariamente, através da televisão, internet, jornais e outros veículos de comunicação.

Entendo que a família é essencial e indispensável comunidade educadora, é a condução privilegiada para a comunicação daqueles valores benévolos e éticos que ajudam o indivíduo a adquirir a própria identidade. Baseada no amor deve a família levar em si o futuro da sociedade; empreitada sua bem particular, é a de fornecer eficazmente este sentimento de ternura para todas as crianças, formando um amanhã de paz.


Da mesma forma, hoje a Igreja que vive em comunhão com o Senhor e experimenta as manifestações do seu poder com dons espirituais e sinais que confirmam a pregação da Palavra, aguardam com ansiedade a volta gloriosa do Senhor Jesus para arrebatar a Igreja, não se cansando de proclamar que “O Senhor Jesus voltará” e de rogar: “Maranata! Vem, Senhor Jesus”.

Devemos buscar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, o renovo do Senhor nos capacitará a ver o que no momento não estamos vendo como Igreja.

Precisamos orar ao Senhor e dizer: “Maranata! Vem, Senhor Jesus”.

Sonho com uma igreja saudável, centrada em Cristo e na sua Palavra. Frutificando vida e multiplicando a imagem do Senhor Jesus. O cuidado de uns aos outros (verdadeiros irmãos), e não uma hipocrisia moralista e enganosa que tenho visto em alguns antros.

Estejamos confiantes que se aproxima o fim do mundo; que no último dia, Cristo descerá dos céus e levantará os mortos do túmulo para a recompensa ou condenação final.

Isabella de Oliveira Nardoni, de cinco anos de idade, é jogada do apartamento por seu pai localizado no sexto andar; o menino João Hélio Fernandes Vieites, de apenas 6 anos, morreu após ser arrastado por mais de sete quilômetros ... a voz do sangue destas e de milhões de crianças clamam ao Senhor Deus desde a terra!

“Maranata! Vem, Senhor Jesus”.

Eduardo Neves / Indignado com a covardia contra as crianças e querendo desesperadamente a volta de Jesus Cristo!!!

05 outubro 2008

A conquista do mundo pelo discipulado

A Grande Comissão, dada por Jesus aos seus discípulos e registrada em Mateus 28.19-20 tem sido a nossa grande omissão durante os séculos. Não herdamos das últimas gerações e nem temos tido a preocupação suficientemente eficaz para reverter essa cultura. Nesse texto há apenas um imperativo: “Fazei discípulos”. Os demais verbos existentes são ações complementares e resultantes desse imperativo. Quando lemos Colossenses 1.27-29 e II Timóteo 2.2, não podemos negar a urgência desse ultimato e o desafio estratégico que o nosso Senhor estabeleceu, e que foram tão bem entendidos e praticados pelo apóstolo Paulo.

Cada vez me convenço mais de que o discipulado é a única estratégia capaz de nos levar à conquista do mundo para Cristo. Trata-se da mais importante atividade da Igreja e, por conseguinte, de cada crente. Todas as ações de uma igreja deveriam ter como objetivo principal fazer discípulos. Às vezes, invertemos o mandamento: enfatizamos a edificação da igreja, e não das pessoas; desejamos instituições fortes, e não crentes fortes. Discipulado é forjar pessoas comprometidas com o Senhor, capazes de impactar o mundo em cada geração.

Discipulado é vida na vida! É transmissão de vida, e não apenas de conhecimentos. Jesus disse que devemos aprender dele, e não apenas com ele. Mas nossa preferência é usar o texto de Hebreus 12.1, que nos insta a olhar para Jesus, e não o de I Coríntios 11.1 (“Sede meus imitadores, como também sou de Cristo”). Com certeza, precisamos olhar para Jesus, mas também é fundamental que mantenhamos uma vida que possa ser imitada pelos outros, que os desafie a serem leais e fiéis a Jesus. Discipulado é discípulo ao lado ou de si para o lado; é um relacionamento de aprendizado entre o mestre e o aluno baseado no modelo de Jesus. É a maneira divina para evitar a má nutrição espiritual e a fraqueza dos filhos espirituais. É o único método que produz crentes maduros que poderão cooperar na transformação de um povo e evitar a sua deterioração espiritual e moral.

Um novo crente logo precisa aprender sobre a morte de si mesmo, conforme lemos em Gálatas 2.19,20 e Lucas 9.23; sobre o amor aos irmãos (João 13.34,35) e sobre a reprodução João 15.8 e II Timóteo 2.2. Além disso, deve ser exortado a permanecer na Palavra (João 8.31) e a evidenciar em sua vida as quatro marcas do caráter de Jesus – obediência, submissão à vontade de Deus, amor aos outros e vida de oração. Deve ainda desejar conhecer intimamente a Deus, dispor de tempo necessário para a vida devocional, manter um coração submisso e contrito e ter disposição para fazer outros discípulos.

Para que isso possa acontecer, é preciso tomar todos os cuidados necessários: em primeiro lugar, o discipulado deve começar antes mesmo de a pessoa ter um encontro pessoal com Jesus. Os semeadores da Palavra devem se preocupar em preparar o terreno antes de lançar a preciosa semente do Evangelho por meio de relacionamentos intencionais. Preparar a terra significa muita oração, dependência do Espírito Santo e desenvolvimento de bons relacionamentos, à medida do possível. Quase sempre, as pessoas que se convertem são trazidas a Cristo por parentes, amigos, colegas de trabalho ou de estudo. Por isso, devemos sempre estar orando por aqueles que estão perdidos – ou seja, “adubar” a terra em todas as chances que aparecerem. Não devemos reclamar da falta de oportunidades; ao contrário, nós mesmos devemos criá-las.

Em segundo lugar, o discipulador deve fazer um apelo bem claro para que a pessoa entregue sua vida a Jesus e o aceite como Salvador e Senhor. Um apelo confuso pode criar uma boa estatística, mas uma difícil integração. O apelo deve ser acompanhado de um bom aconselhamento; e a decisão por Cristo deve ser festejada, especialmente por gente da família, amigos e por toda a igreja! Não é esse o dia mais importante na vida de uma pessoa?

Em terceiro lugar, o novo crente deve ser visitado dentro das 48 horas após sua decisão, tendo à disposição, se possível, um estudo bíblico em sua casa, pois assim seus familiares e pessoas próximas também teriam a chance de estudar a Palavra de Deus. Além disso, ele já estaria automaticamente inserido num programa de multiplicação (discipulado), pois o estudo que recebesse poderia, mais tarde, ser transmitido para outras pessoas, consoante II Timóteo 2.2.

Em quarto lugar, o discipulando, quando terminasse essa primeira série de estudos, e enquanto já estivesse fazendo uma segunda série, poderia acompanhar o seu discipulador quando ele estivesse ensinando a mesma primeira série noutra casa, até que, num terceiro momento, ele pudesse fazer o trabalho sozinho. Assim, haveria discípulos fazendo discípulos que fariam discípulos, e assim sucessivamente. Jesus dedicou seu ministério terreno a dois grupos: os discípulos e a multidão. Todos sabem onde está a sua multidão, mas poucos sabem onde está o seu pequeno grupo.Vamos avançar!

*Nilton Antonio de Souza - Missionário da Junta de Missões Nacionais da Convenção Batista Brasileira e atua como gerente de Evangelismo e Discipulado e coordenador de Evangelismo e Missões da Convenção Batista Carioca

28 setembro 2008

Existe ou não a predestinação?

Não creio na predestinação individual, como se Deus houvesse amado a um mais do que a outros, antes mesmo de nascerem. Não consigo conceber o Criador traçando um plano para salvar os “previamente amados” e condenar outros, os “menos amados”, sem sequer lhes dar a opção de escolherem se querem ou não a salvação. É impossível conceber a idéia de que o Senhor ame mais alguns do que outros; que tenha previamente determinado à salvação de uns e a condenação de outros; que todos teriam um destino predefinido antes mesmo de nascer.

Se o homem não tivesse autoconsciência e livre-arbítrio, não teria culpa de absolutamente nada. E um estuprador ou qualquer outro malfeitor não poderia ser acusado nem condenado, pois esta seria sua única opção. Então, Deus, que o criou assim, não poderia puni-lo; afinal, sem livre-arbítrio, ninguém poderia agir de outro modo.

A Bíblia fala de eleição (1 Cr 16.13; Is 65; Rm 11; Cl 3.12; Tt 1.1; 1 Pe 1.2; Ap 17.14) e de predestinação (Rm 8.29,30; Ef 1.5,11). Mas não num sentido individual. Tais textos se referem ao destino coletivo dos santos do Antigo e do Novo Testamento; aqueles que deliberadamente escolhem obedecer a Deus e à Sua Palavra.

No Novo Testamento, os eleitos de Deus são todos aqueles que creram em Jesus e aceitaram o senhorio dele, tornando-se seus imitadores e filhos do Pai celestial. A partir dessa experiência pessoal, chamada de salvação, tais pessoas passaram a desfrutar da comunhão com Deus pelo Espírito Santo que veio habitar nos cristãos, para moldá-los à imagem divina de Jesus, de quem se tornaram irmãos e co-herdeiros, tendo direito ao céu e à vida eterna (ver Rm 8.17; 2 Co 3.18; Ef 3.6; 4.12,13,30; 5.1).

É claro que Deus, sendo onisciente, sabe de todas as coisas, inclusive quem será salvo e quem não será. Mas isto não significa que Ele tenha predestinado uns para o céu, e outros para o inferno. Afinal, Deus criou o ser humano e concedeu-lhe livre-arbítrio, responsabilizando-o pelos seus atos e por suas escolhas. Se não fosse assim, a promessa de salvação não seria condicional: aquele que perseverar até ao fim será salvo (Mt 10.22; 24.13; Mc 13.13). Sê fiel até à morte, e dar-te-ei a coroa da vida (Ap 2.10).

Deus deseja que todos se salvem, mas muitos não atendem ao seu chamado. Se não existisse livre-arbítrio, o pecado da humanidade teria sido um plano do próprio Deus, como se Ele tivesse traçado esse destino de pecado e morte para o homem. Isso é um absurdo teológico!

Logo, a incompreensão dos conceitos de eleição e de predestinação tem servido de base para a defesa de uma “predestinação fatalista”, que não tem base bíblica; a qual se vale de um texto sem o contexto. Isto infringe a hermenêutica bíblica e compromete a sã doutrina cristã.

Por fim, deixamos um texto do Antigo Testamento que serve de alerta e de base para todos aqueles que desejam ser salvos e tornar-se eleitos e predestinados ao céu: "Porém, se vos parece mal aos vossos olhos servir ao SENHOR, escolha hoje a quem sirvais; se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam além do rio, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habita; porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR." Josué 24.15

Que as bênçãos de Deus sejam derramadas sobre sua vida.

*Pr. Silas Malafaia - Psicólogo, vice-presidente da Assembléia de Deus na Penha (RJ), vice-presidente do CIMEB – Conselho Interdenominacional de Ministros Evangélicos do Brasil –, coordena e apresenta o Vitória em Cristo, este programa está há mais de 25 anos ininterruptos na televisão, sendo transmitido por várias emissoras em rede nacional.

15 setembro 2008

Discípulo: Ética e ação

Não são poucos os textos já produzidos que focalizam as técnicas de gerar e de formar discípulos de Cristo. Os enfoques pendulam do khrugma (proclamação) do Reino gracioso de Deus para arrependimento e conversão a Jesus, ou seja, a busca de discípulos, à didach (instrução) cristã, dirigida ora aos recém-convertidos, ora à comunidade evangélica em geral. Assim, encontramos tanto os discursos que privilegiam a anunciação cristã quanto os que enfatizam os aspectos parenéticos. É nítido, entretanto, que os ensinamentos centrados apenas no bom comportamento ficam aquém da didakhé primitiva. Reduzida ao nível dos procedimentos, o poder de transformação social da instrução é apagado e, naturalmente, o da proclamação, enfraquecido.

O Novo Testamento enumera os vícios individuais do “velho homem”: adultério, ira, jactância, bebedeira, dissensões, embriaguez, inimizades, fingimento, inveja, insensatez, murmuração, prostituição, mentira, malícia, desobediência aos pais e calúnia, entre outros, dos quais o cristão deve separar-se. As paixões carnais que lutam contra a alma deverão ser vencidas. Entre a virtude e o vício, o caminho a ser escolhido pelo filho de Deus é o da primeira. Mas a relação denunciante dessas práticas é apenas um lado da moeda parenética. Enquanto encontramos partes significativas de conselhos que são apresentados sob a perspectiva negativa, há também um grande número de valores positivos –: amor aos inimigos, oração pelos perseguidores, perdão, misericórdia, justiça, bondade, humildade, fé com obras, trabalho em grupo para o bem comum, renovação mental e espiritual etc. De acordo com a Escritura, são práticas e virtudes que devem compor o caráter do cristão.

Se as instruções – que induzem os sujeitos sociais a produzirem e alterarem a história –– forem consideradas somente a partir do que se deve evitar, o cristão “se isentará do mundo”, tenderá a fechar-se em seu universo religioso e a renunciar ao seu papel de produtor de transformação social. Quando muito, suas ações se restringirão a uma proclamação centrada ou em questões espirituais, ou em comportamentos de afastamento.

Tomemos como exemplo o amor. Se as ações concretas universais forem desconsideradas ou particularmente reinterpretadas, a educação cristã se reservará ao ensino da prática caridosa pontual, da realização de trabalhos ínfimos para mero desencargo de consciência e um amor corporativo – ou, mais restritamente, de amor entre os iguais. Essa visão de cristianismo criou santos com alto grau de insensibilidade. Fica evidente, assim, que as instruções de Cristo têm amputada a sua parte essencial.

Por sua vez, no Novo Testamento há um contínuo gradativo e crescente: o amor de Deus ao mundo, descrito em João 3.16, nos proporciona a capacidade de amar (I João 4.19) não só a Deus (Marcos 12.33), mas também aos irmãos, conforme I João 4.11, e àqueles que estão no limite das relações – e ainda aos que, odiando os cristãos, permitem que o amor extravase e atinja o seu grau máximo de realização, mencionado em Mateus 5.44.

Não se deve pensar que essas instruções estejam reduzidas à proclamação, como se o amor aos irmãos, ao próximo e aos inimigos pudesse ser limitado ao anúncio do Reino ou a algum conjunto de normas para o bom comportamento; “amar a Deus”, em tal perspectiva, seria apenas o cumprimento dessa missão. Pensar dessa maneira faz-nos ter uma fé incompleta, imperfeita e, não menos, falseada. Conseqüências ética e teologicamente funestas dessa postura é a irresponsável transferência do bem – que compete ao novo homem fazer – à direta ação divina, e a crença de que o mal em todas as esferas, contra o qual a Igreja deveria opor-se concretamente, é conseqüência da condição humana decaída, que só poderia ser tratada pelo Senhor. Em outras palavras, equivale a dizer que só a divindade pode fazer alguma coisa, seja o bem seja o mal, o que anula a verdade de que a Igreja representa deu Deus perante o mundo.

É por essas razões que não é raro encontrarmos, dentro de uma mesma comunidade cristã, como algo completamente natural, pessoas que desfilam carros importados e outros que vão e voltam a pé para suas casas distantes; gente ostentando etiquetas de grife e irmãos que só têm uma muda de roupa; famílias cobertas pelos melhores planos de saúde e pais que não têm como tratar de um filho doente. Isso sem falar no disparate de encontrar na congregação quem gaste R$ 500 em um jantar e os que dependem da generosidade alheia na forma de cestas básicas.

Nessa perspectiva, nega-se que pela instrução perpetuam-se idéias vivas cujo fim é agir sobre o mundo natural, influenciando-o a reverter seu estado de miséria, de injustiça, de diferenças sociais e de ignorância. São os bons frutos que a boa árvore deve produzir, conforme Mateus 7.17. Proclamar “Senhor” e ensinar outros a dizer o mesmo sem a legitimidade de ações bondosas com poder de transformação é construir o indivíduo cristão em fundamento pusilânime. Em outras palavras, é investimento vazio no Reino de Deus. “Pois assim como o corpo sem espírito cadáver é, assim também a fé sem obras cadáver é” (Tiago 2.17). As didakhaí de Jesus relacionam moral e ética com misericórdia, compassividade, hospitalidade, bondade, mansidão – mesmo que, no limite, o princípio da reciprocidade não seja respeitado.

Da lista de conselhos que Paulo prescreveu aos cristãos em Roma, há que se destacar dois: o primeiro, circunscrito na relação interna com a comunidade – “Tornando-vos comum com as necessidades dos santos”; e o segundo, “Perseguindo o amor ao estrangeiro” (Romanos 12.13), demonstra a necessidade da relação externa com o mundo. Assim, o discípulo completo é o que em seu lugar age segundo a totalidade das instruções, e quanto mais estiver disposto a satisfazer as exigências do discipulado, maior será a sua entrega àquele que o chamou e maior será o seu poder de proclamação. Quanto a isso, nada mais contundente do que as metáforas de ação e de presença universais: “Vós sois a luz do mundo; a cidade que jaz sobre o monte não pode ser escondida” (Mateus 5.14)

Moisés Olímpio Ferreira - Doutorando em Filologia e Língua Portuguesa pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, professor de Grego, Exegese do Novo Testamento e Hermenêutica

29 agosto 2008

Mulher, onde estão aqueles teus acusadores?



A história de Shelley Lubben


Shelley Lubben nasceu em 1968 e cresceu no Sul da Califórnia. Era a mais velha de três irmãos, tendo uma personalidade forte a que ela chamava de “personalidade impetuosa.”

Durante os primeiros oito anos da vida de Shelley, a sua família ia a uma igreja evangélica. Numa entrevista ela disse: “Quando era criança, conheci e amava muito a Jesus.”

Contudo, quando fez nove anos as coisas mudaram muito para Shelley e a sua família. Eles foram para uma pequena cidade, tendo deixado tudo o que Shelley tinha conhecido e amado.

Os meus pais deixaram de ir à igreja e a nossa família afastou-se de Deus”, disse Shelley.

Ao crescer, Shelley sentia-se diferente das outras crianças.

De criança alegre a prostituta. Após sofrer violência sexual, aos 9 anos, Shelley teve sua vida transformada - para pior.

“Eu era muito criativa, e escrevia poesia e pequenas histórias desde muito novinha. Os meus pais não me envolveram em atividades extra-curriculares e a maior parte do tempo sentia-me muito entediada e frustrada”, disse ela. A minha professora do primeiro ano reparou na criatividade que havia em mim e disse à minha mãe que estava maravilhada comigo. Ela cria que eu me tornaria numa atriz de Hollywood ou numa realizadora de cinema.”


PROCURANDO AMOR SÓ EM LUGARES ERRADOS

Havia também outras coisas que eram diferentes com Shelley, segundo a própria.

“Eu também era peculiar no fato de que comecei a masturbar-me, e a ter tendências sexuais numa idade muito nova. Eu fui introduzida à sexualidade por uma garota e o irmão dela, adolescente, quando tinha nove anos de idade, e desde então tive vários encontros sexuais tanto com meninas como com rapazes antes dos 18 anos. O sexo tornou-se para mim confuso. O sexo para mim significava ‘amor’, pois sentia-me bem ao receber atenção, mas ao mesmo tempo sentia-me suja.”

Quando adolescente, Shelley buscou amor nos rapazes e afundou-se no álcool e no sexo com a idade de 16 anos. Os seus anos de adolescência foram cheios de constante reclamação e discussão.

Ela disse, “Tive uma mãe que se irava comigo a maior parte do tempo, e um pai que parecia demasiado ocupado para se relacionar comigo, a não ser gritar comigo por falar nas costas da minha mãe. Eu comecei a beber álcool e a usar drogas com a idade de 16 anos. Os meus pais tentaram aconselhamento familiar, mas o meu pai estava demasiado ‘ocupado’ e só participou uma vez. Por fim, como sua última façanha, pediram-me para me ir embora de casa quando fiz 18 anos”.

Shelley acabou por ir parar a San Fernando Valley sem dinheiro nem comida.

“Um homem ‘gentil’ viu que eu estava angustiada e disse-me quão pesaroso estava, oferecendo-se para me ‘ajudar’,” disse Shelley. “Tudo o que eu tinha de fazer era ter sexo com um amigo seu, dando-me dinheiro por isso. Eu estava tão indignada por os meus pais me terem expulso de casa que não me preocupei com nada, por isso aceitei a oferta. Vendi-me por US$35, começando assim uma vida de prostituição”.

A vida de Shelley entrou numa espiral descontrolada.

"Em pouco tempo encontrei uma senhora que me introduziu na faceta ‘encantadora’ da prostituição”, disse Shelley. “No princípio pareceu sensacional, mas esta vida depressa se converteu em escravatura. Passei a ter sexo bizarro com estranhos e comecei a odiá-lo. O meu estilo de vida estava a tornar-se cada vez pior, e sentia-me como não tendo para onde me voltar. Jesus continuava a bater à porta do meu coração, mas eu ignorava-o.

O ciclo vicioso de Shelley ao trabalhar como prostituta e dançarina exótica na Califórnia do Sul durou oito anos. Ao trabalhar como prostituta engravidou, tendo tido assim a sua primeira filha, Tiffany, com a idade de 20 anos. Ela tentou recuar e fazer apenas dança exótica, mas disse que foi muito difícil resistir à prostituição.

Depois de alguns anos como mãe solteira e de trabalhar como prostituta e dançarina, Shelley começou a beber exageradamente tendo desenvolvido uma terrível dependência do álcool e das drogas.

Shelley disse, “A Tiffany cresceu como uma triste menina negligenciada, e a inocência dela foi muitas vezes violada. Quando ela cresceu apercebeu-se que eu era ‘visitada’ por homens estranhos, e ficou zangada comigo. Eu comecei então a ver-me como um completo fracasso.”

À medida que a jornada dolorosa de Shelley progredia, ela envolveu-se na indústria de filmes para adultos. Descobriu que era uma forma de realizar dinheiro fácil, “ e era mais ‘lícito’ do que a prostituição.”

Shelley disse, “Comecei a fazer muitos filmes hardcore, e só as drogas e o álcool me permitiam fazê-los. Era como se eu tivesse algo para provar ao mundo e a todos os que me tinham magoado. E quando a indústria porno abriu-me os seus enormes braços e me convidou para a sua família, encontrei finalmente aceitação.”

Porém o preço que Shelley teve de pagar por esta “membresia” foi enormíssimo. Ela disse, “Eu vendi o meu coração, mente e feminidade à indústria porno, e a mulher e pessoa em mim morreram na pornografia.”

Shelley também se arriscou a ficar infectada com o vírus da SIDA como aconteceu com outras estrelas porno. Ela disse, “A indústria não obrigava nem ainda obriga o uso do preservativo, por isso o HIV e STD eram e ainda são um risco para os atores e atrizes porno. Em Maio de 2004, cinco atores pornográficos tiveram testes positivos relativamente ao vírus da SIDA. Eu tive mais sorte do que esses atores. Deus não permitiu que eu contraísse o vírus da SIDA. Contudo fui infectada com herpes, uma doença incurável sexualmente transmissível. Fiquei totalmente de rastos e quis pôr termo à minha vida.”

Como resultado, Shelley tomou uma overdose de comprimidos e cortou os pulsos, mas parecia que fizesse ela o que fizesse, não conseguia morrer. Deus tinha um plano para a sua vida, mas a dor era esmagadora e ela estava a ter terríveis variações de humor. Só o álcool e as drogas podiam ajudar a sua dor, disse ela.

Eu clamei a Jesus para que me ajudasse e tentei deixar o meu estilo de vida,” disse ela, “ mas no espaço de uma semana voltei ao ciclo vicioso. Eu perdi toda a esperança e odiava a minha vida. Depois que contraí herpes deixei calmamente a indústria porno mas ainda me prostituía para sobreviver.”

Em 1994 Shelley conheceu Garrett. Ele tinha 22 anos de idade, e Shelley disse que ele era inocente, comparado com ela. “Eu disse-lhe que cobrava dinheiro para namorar,” disse ela. “Ele fingiu necessitar dos meus ‘serviços’ para uma festa de solteiros, por isso dei-lhe o meu cartão. Ele telefonou-me muitas vezes para sair, mas continuei a recusar. Mais tarde, por alguma razão da parte de DEUS, mudei de ideia e tornámo-nos amigos.”

Shelley disse que enquanto ela tentou manter a relação distante foi difícil, porque Garrett fazia com que ela se sentisse de novo uma menina.

“Ele vinha ter comigo e entrávamos em êxtase com anfetaminas, jogando damas e cartas durante horas”, disse ela. “Falávamos da vida e um dia falamos ambos de Jesus. Como crianças, ambos crescemos a amar e a conhecer Jesus Cristo. Para duas pessoas que se encontraram num bar, isto foi uma “coincidência” admirável. Nós sabíamos que fora Deus, por isso reentregamos as nossas vidas a Jesus, e casamos em Fevereiro de 1995.

CAMPEÕES PARA JESUS

Deus conduziu Garrett e Shelley a uma igreja chamada Centro Campeão em Tacoma, Washington, onde Shelley disse que aprenderam a viver uma vida “Campeã”.

“Descobri que havia permanentemente em mim um Campeão,” disse Shelley. “Aprendi que podia vencer tudo, porque com Deus tudo é possível. Com Deus, tive verdadeiro perdão de todos os meus pecados e oportunidade de me transformar numa pessoa completamente nova sem ser perfeita primeiro. Isso foi um alívio! Também aprendi que Deus tinha um propósito para a minha vida. Deus tinha um propósito para a minha vida? Isso era como alguém acender-me a luz.”

Em Novembro de 1999, Shelley deu à luz outra filha, Abigail, e apesar de ter bebido álcool durante parte da gravidez, Deus poupou-lhe a vida.

Após o parto, Deus respondeu finalmente às minhas orações e libertou-me completamente do álcool,” disse Shelley. “No dia 9 de Abril de 2000 foi quando me libertei totalmente, tendo constituído um acontecimento muito importante na minha vida. Comecei a ler livros sobre como ser uma melhor mãe e esposa. Aprendi a cozinhar e a cuidar do meu lar e a viver uma vida ‘normal’. Passei a praticar os princípios de Deus em tudo o que faço, e comecei a experimentar verdadeira alegria pela primeira vez em 13 anos.

Shelley disse que depois que foi naquele primeiro dia ao Centro Campeão abatida e destroçada, oito anos depois ela tornou-se numa mulher totalmente curada e entusiasmada para viver a vida.

Ela disse, “Deus livrou-me completamente das drogas, da dependência do álcool, das más recordações, da doença mental, da dependência sexual, do trauma sexual, e de todo o meu passado.”

Shelley disse que o seu futuro é glorioso. “Deus agora envia-me a proclamar ao mundo a realidade do Seu tremendo amor, dizendo como Ele fez cada um de nós à Sua imagem, e somos completamente amados e aceites por Ele; dizendo como Ele enviou o Seu Filho Jesus para nos libertar das drogas, alcoolismo, dependência sexual, rejeição e todas as mentiras de Satanás.”

Ela acrescentou, “Gosto de mostrar ao mundo que se Deus pode mudar uma estrela porno e uma prostituta numa Campeã, Ele pode mudar qualquer pessoa. Porém Deus só muda as vidas daqueles que O escolheram. Josué 24:15 diz, ‘... escolhei hoje a quem sirvais; ... porém eu e a minha casa serviremos ao SENHOR.’ Esta foi a melhor escolha que fiz.”

* Por Jeremy Reynalds.

Glória ao Senhor Deus pela vida desta mulher!!! Aleluia!!! Exemplos como este nos edificam e renovam nossas forças para perseverar cada vez mais!!!

*Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé.* II Tm 4.7

18 agosto 2008

Razão da esperança

Por toda parte, por todos os lados, ouvimos mensagens oferecendo a fórmula do sucesso. Consumo, viagens, prazeres, carreira e muitas outras coisas são oferecidas como passaportes para um projeto de vida agradável e boa. Todos somos incentivados a buscar o sucesso custe o que custar. Se no passado uma roupa valia alguma coisa quando colocada em meu corpo, hoje, se você não estiver com uma roupa de determinada marca, vai sentir-se nu, ainda que vestido. Se o seu carro não for aquele mostrado na glamourosa propaganda de TV, e mesmo se sua TV não for aquele modelo de plasma de 70 polegadas, sinto muito ao dizer isso, mas você não está sendo bem sucedido na vida...

A troca do valor do ser pelo valor de possuir, chamada ontologia, é uma das características desses nossos tempos. O ter é que empresta o valor ao ser, pois o ser já não vale muita coisa – na verdade, o sistema nos coloca como pouco mais que alguns números registrados em nossos documentos. Na crise de identidade que assola a sociedade hoje, procuramos nos apegar em algo concreto, de modo a ter garantia de que de fato existimos. Queremos, simplesmente, ser alguém.

Viktor Frank destacou que a vida não deve ser vivida sob a linha do sucesso-fracasso, mas na busca de um sentido, de uma razão. Ele foi confinado em campos de concentração na Segunda Guerra Mundial e sobreviveu a toda sorte de carências e maus-tratos. Ali, distante de tudo que costuma ser associado à felicidade – família, bens, liberdade –, buscava em Deus a sua razão de viver. Ele não procurava o imperativo da felicidade, mas simplesmente agarrava-se à esperança que lhe vinha do Alto.

Mesmo enfrentando problemas, sofrimentos e dramas, se colocarmos a razão de nossa esperança no Evangelho, poderemos experimentar na prática o que Jesus nos deixou como legado: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não a dou como o mundo a dá”. Paz, na Bíblia, não é sinônimo de ausência de perturbação, mas serenidade de espírito – ou, noutras palavras, o sentido de vida.

Paulo ainda nos ensinou que, tendo sustento e com que nos cobrir – ou seja, alimento e abrigo –, deveríamos ficar felizes. Esse é o mínimo que devemos esperar de Deus; o restante que temos é mais do que suficiente, é mais do que precisamos. Conte quantos pares de sapatos ou roupas você tem e verá que, provavelmente, possui mais coisas do que precisa. Aí, é só agradecer a Deus, em vez de ficar pedindo cada vez mais.

Lourenço Stelio Regaé teologo, educador e escritor.

10 agosto 2008

Armadilhas hermenêuticas

"Há uma necessidade urgente e gritante de conhecimento mais aprofundado sobre a interpretação da Bíblia!"

A maioria dos mais informados vai concordar que atravessamos um cenário complicado no evangelicalismo brasileiro. Todos sabem que a Igreja cresceu demais nas últimas décadas, mas ela ainda busca amadurecimento. Movimentos mais contextualizados e grupos voltados para a evangelização do país coloriram o cenário nos últimos anos. Todavia, tanta euforia e eferverscência também é sinal de atenção. O fato é que a Igreja nacional precisa achar um ponto de equilíbrio entre quantidade e qualidade. E sem o estudo sério e fundamentado da Palavra de Deus, teremos problemas insolúveis a curto prazo em nossa realidade protestante tupiniquim. Infelizmente, ainda há grupos em nosso contexto de fé que desprezam o preparo teológico; outros são tão estranhos que vivem na fronteira entre as categorias de seita e denominação.

Ninguém pode negar que essa tarefa de consolidação da Igreja brasileira passa necessariamente pela referência máxima da cristandade e dos evangélicos: as Escrituras Sagradas. A compreensão da Bíblia é absolutamente fundamental para que se tenha uma Igreja séria e cristãos espiritualmente saudáveis. Por incrível que pareça, o sinal de que nem tudo vai bem neste cristianismo “tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza” é que há muitos textos lidos e enfatizados em nossa tradição evangélica que são mal compreendidos, gerando inclusive crises e problemas pessoais em muitos cristãos sérios e sinceros.

Muita gente tem sofrido com seus familiares ao ler o conhecidíssimo texto de Atos 16.31: “Crê no Senhor Jesus, e tu e tua casa sereis salvos” (Versão Almeida 21). O problema desse texto é que muitas pessoas pensam que estamos diante de uma promessa divina de que todos os nossos parentes próximos serão salvos mediante a nossa fé. A verdade é que tal trecho não ensina isso! Em primeiro lugar, é importante destacar que, como texto narrativo histórico, o versículo não pretende ser normativo – ou seja, o relato de alguma coisa que acontece não é necessariamente norma para toda a Igreja. Logo, aqui vemos uma promessa que foi dada ao carcereiro de Filipos, e não a todos! Foi dito que ele e “os de sua casa” (NVI) seriam salvos. No caso específico, isso talvez tivesse incluído servos ou empregados, já que a “casa” de alguém nos tempos bíblicos incluía gente que não era da família de sangue do proprietário.

A verdade é que ninguém pode assegurar a conversão de seus parentes com base neste texto. Se esse fosse o caso, nenhum crente veria um parente próximo morrer sem converter-se a Jesus – mas sabemos que isso não se verifica. Além disso, o próprio Senhor deixou claro que muitos cristãos até perderiam suas famílias por causa do Evangelho: “E todo o que tiver deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por minha causa, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna.” (Mt 19.29 – A21). Se aos crentes fosse prometida a conversão de todos os parentes próximos, o texto de Mateus 10.35, 36 também não faria sentido.

Quase que na mesma linha de pensamento, muitos evangélicos, principalmente pais e mães, ficam literalmente desesperados diante de Provérbios 22.6: “Instrui ao menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele” (Almeida Revista e Corrigida). O que geralmente se entende desse versículo é que Deus promete que uma criança levada ao conhecimento do Evangelho desde pequena nunca se desviará da fé. E como ficam os pais de filhos que fizeram justamente o contrário, embora educados segundo a Palavra, apostataram da fé? Em primeiro lugar, é importante lembrar que Provérbios não é um livro de promessas – suas afirmações são “máximas”, ou seja, fatos constatáveis de modo geral na vida. O que o texto diz é que aquilo que uma criança aprende desde pequena não é esquecido, mas a tônica não é exclusivamente religiosa. É de criança, por exemplo, que se aprende a andar de bicicleta, falar outra língua, tocar um instrumento ou mesmo decorar versículos.

A tradução tradicional “deve andar” interpreta o sufixo pronominal genitivo do hebraico indo muito além do literal. Todavia, há outras alternativas de interpretação. “Instruir a criança no caminho” pode significar instruí-la segundo os objetivos que os pais têm para ela” (NVI), instruí-la no caminho devido (ARC, A21) ou mesmo “instruí-la conforme os dons que ela tem”. As interpretações são legítimas e o texto está aberto a mais de um enfoque distinto. No entanto, é bastante seguro afirmar não há promessa ou segurança alguma de salvação para a criança que vai à Escola Dominical, tem pais cristãos e ouve a Bíblia desde pequena, simplesmente porque não é isso o que se trata ali.

Outro texto geralmente mal compreendido é o de Filipenses 4.13 – “Tudo posso naquele que me fortalece”. Certa vez, trafegando pelas áreas nobres da rica cidade de São Paulo, vi um belo carro importado com um adesivo que ostentava orgulhosamente tal verso. Geralmente, quando se lê este texto isoladamente, a maioria das pessoas imagina que se trata de uma promessa de fé: a de que, por meio do poder de Cristo, podemos alcançar tudo que quisermos! Assim, posso adquirir bens caros, derrotar inimigos, alcançar posições de destaque e tudo o mais. Novamente, o texto bíblico não está dizendo isso. Aqui, é preciso entender o contexto. O apóstolo Paulo está escrevendo aos filipenses na ocasião de sua prisão, muito provavelmente em Roma. Portanto, está enfatizando que, por meio de Cristo, podemos suportar toda e qualquer situação adversa. Basta ler o que o apóstolo diz um pouco antes, nos versículos 11 e 12: “Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação – seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade” (NVI). Por incrível que possa parecer, o texto bíblico significa exatamente o oposto do que muita gente tem sugerido sem analisá-lo adequadamente.

Já encontrei até dois cristãos evangélicos discutindo se devemos ou não mentir em certas situações. Independentemente da discussão sobre a possível legitimidade de uma inverdade ou omissão da verdade em certas situações – como o caso de mentir ou omitir algo para salvar uma vida –, o que estamos discutindo é o uso de textos bíblicos de maneira indevida. O argumento dos debatentes era o de que Abraão, servo do Senhor e chamado na Bíblia de “amigo de Deus”, mentiu em uma situação de necessidade, registrada em Gênesis 12.18-20. A questão aqui não é tão difícil – novamente, cabe frisar que o simples relato de um texto histórico não o define como norma. Muitas passagens das Escrituras nos contam erros e crimes de seus personagens exatamente para enaltecer o poder de Deus na vida de frágeis seres humanos. Muita gente, porém, tenta ver méritos e qualidades especiais em cada detalhe de vida dos heróis bíblicos sem contrastar o comportamento dos mesmos com as normas divinas. Assim, com base nos fatos de que Moisés ficou irado, Jacó enganou Labão, Raabe mentiu em Jericó ou que Davi foi polígamo, há quem tente justificar seus pecados, afirmando que homens e mulheres de Deus do passado fizeram tais coisas e não foram punidos por isso. O equívoco é muito claro.

Tais situações apenas nos mostram a necessidade urgente e gritante de um conhecimento mais aprofundado da hermenêutica, a arte de interpretação da Bíblia. Muitas comunidades cristãs são hoje reféns de doenças hermenêuticas prejudiciais e destruidoras para a fé de seus integrantes. Há grupos perdendo o equilíbrio e caindo no liberalismo teológico da negação do sobrenatural, ou numa filosofia específica. Há tantas distorções – o legalismo, o misticismo desenfreado, o tradicionalismo irrefletido – que somente o estudo da Bíblia no seu próprio contexto, entendendo elementos históricos, literários e teológicos, nos levará a entender ao máximo a intenção original do autor. É preciso ainda destacar os princípios presentes no texto para então comparar o que descobrimos com uma análise teológica mais profunda, a partir de outras passagens que falam dos mesmos princípios. Finalmente, devemos fazer a aplicação do princípio descoberto e teologicamente analisado na realidade do cotidiano.

A verdade é que a seriedade e o valor do texto sagrado para sempre ecoará através da história, especialmente quando ouvimos como o próprio Jesus considerava as Escrituras: “Pois em verdade vos digo: antes que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará uma só letra ou um só traço da Lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5.18 – A21).


Luiz SayãoTeólogo,

hebraísta, escritor e tradutor da Bíblia. É também professor da Faculdade Batista de São Paulo, do Seminário Servo de Cristo e professor visitante do Gordon-Conwell Seminary.

24 julho 2008

AS DUAS FRAQUEZAS DA IGREJA


Uma das coisas que particularmente está viva em meu coração e está diante de Deus, é que Ele não permita que eu tenha uma visão pessimista sobre a Sua igreja, entretanto, não há como negar que nós estamos muito aquém daquilo que o Noivo espera de nós. E ao olhar para a Escritura, percebo essa verdade a respeito de nós mesmos. Há algum tempo atrás estive meditando sobre Is 1, quando o profeta revela o terrível estado espiritual da nação de Israel. O pecado era tamanho que afetou o corpo inteiro. As feridas não estavam espremidas e nem amolecidas com óleo, além disso, o coração estava fraco. As feridas vivas indicavam a morte espiritual da nação. Minha primeira reação foi dissociar esse texto da igreja do novo testamento, mas depois, descobri que outros pregadores de renome (eu sou apenas um lavador de pés) também estavam identificando a igreja com o antigo Israel.

O câncer do antigo Israel é o mesmo da igreja neotestamentária: PECADO NÃO TRATADO. Sei até que vou correr o risco de ser mal interpretado, mas é melhor correr o risco do que ficar sem fazer nada.

Nestas poucas linhas, com a ajuda do Espírito Santo, ofereço à noiva do Cordeiro, da qual faço parte, uma reflexão sobre seu próprio estado espiritual. Se continua em seu estado de Glória original (ver Ez 16) ou se caiu na dormência e apostasia espiritual.

1) A FRAQUEZA GERADA PELA FALTA DE SANTIDADE PESSOAL
Em minha pouca experiência de vida cristã aprendi uma lição muito importante: PECADO TEM QUE SER TRATADO COMO PECADO, e, segundo a minha bíblia, PECADO MATA.

O tema ARREPENDIMENTO parece estar suspenso de muitos púlpitos (não me lembro quando foi à última vez que ouvi!). Não falo de arrependimento de ATITUDES apenas, falo de arrependimento de NATUREZA, Deus nos está chamando para um arrependimento da natureza que nutre o pecado. No grego, a palavra metanóia encontrada em textos como II Co 7:9, 10 denota esse tipo de arrependimento. A natureza da oliveira só flui se a natureza do zambujeiro bravo morrer (Rm 11: 17, 24). Para muitos, o tema não é muito atrativo, pois demanda uma mudança de vida radical.

O pecado atinge todas as camadas da sociedade. Desde mendigos a presidentes, da plebe à realeza, de leigos a clérigos, e, de ovelhas a pastores. Enquanto os ministros se calam, a beleza e a glória da Noiva vão sendo consumidas. A congregação dos santos passa a ser freqüentada por demônios, pois o pecado é o salvo-conduto do exército inimigo.

Por causa da presença do pecado, a presença de Deus fica sufocada; extinta, o entendimento fica entenebrecido, e os próprios crentes se tornam incapazes de discernir o mundo espiritual. Não compreendem, por exemplo, que existe um ministério angelical ordenado por Deus com o propósito de ministrar aos santos, e por isso, não usufruem tal ministério, por outro lado, se esquecem que o diabo, nosso adversário, anda bramando desesperadamente como um leão, buscando a quem possa tragar, e por falta dessa percepção, não há vigilância espiritual; a porta encontra-se aberta para a entrada de Satanás.

O pecado tira o vigor espiritual, e a ausência de vigor é revelada pelo desinteresse pela Palavra e pela oração, ou ainda, até se lê, até se ora, mas passando a ser apenas um ritual a ser seguido; uma exigência da vida cristã, e não um encontro com o Pai, e a concupiscência, então, assume o lugar da fome e da sede pela presença de Deus. O salmo 42:1, 2 expressa a fome e a sede do salmista tomando a corsa e as correntes das águas como exemplo. Diz-se que uma corsa pode sentir o cheiro das águas a dois quilômetros de distância. Ao sentir o cheiro, corre literalmente desesperada, fica momentaneamente louca, como que descontrolada até chegar às fontes. É essa a situação dos filhos de Coré nesse salmo e também a de Davi em Sl 63: 1: “Ó Deus, tu o meu Deus. De madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti, a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água”. Davi estava no deserto de Judá fugindo de Absalão, ao olhar o deserto expressa seu desespero pela presença de Deus como o deserto desespera por água. Se não há fome e sede por Ele, se a noiva não aspira estar com o Noivo e não faz a segunda voz no coro do Espírito (Ap 22:17 parte a), há de fato um grande problema. Esse problema é a presença do pecado e a ausência do arrependimento e da presença de Deus.

Até quando os ministros vão se calar? Até quando iremos de culto em culto em vez de irmos de glória em glória? Até quando esperaremos para sermos conduzidos às águas profundas do arrependimento? Até quando? Até quando? Até quando esperarei? Ó Deus, conduza-me aos teus lugares altos pelo vale da humilhação!

O apóstolo Paulo ensinou que devemos mortificar os nossos membros que estão sobre a terra (Cl 3:5). Mortificar significa “tirar o vigor de”, e a única maneira de fazer isso é indo para a cruz (Lc 9:23). Infelizmente a igreja hodierna tem se tornado uma réplica do antigo Israel, e muitos ministros estão sob o juízo de Deus pela perspectiva profética de Ez 34. Você já leu?

2) A FRAQUEZA GERADA PELA FALTA DE EDIFICAÇÃO PESSOAL


A mesma bíblia que diz que Ele nos fortalece (Fl 4:13), diz que devemos nos fortalecer nEle (Ef 6:10). A alegoria da armadura de Deus encontrada em Ef 6:13-18 encerra a verdade de que o crente tem uma participação insubstituível no processo de fortalecimento de si mesmo, entretanto, o elemento mais importante dessa armadura, acompanhado da Espada do Espírito que é a Palavra de Deus, é pouco compreendido, e conseqüentemente, pouco usado. Refiro-me ao elemento citado no versículo 18: “Orando em todo o tempo com toda oração e súplica no espírito...”. A pergunta é: o que é orar no espírito?

Nota: Em muitas bíblias o termo “espírito” está escrito com letra maiúscula, porém, no texto grego não é assim, pode se referir tanto ao espírito humano como ao Espírito de Deus.

A resposta é encontrada em I Co 14:2: “Porque o que fala em língua desconhecida não fala a homens, senão a Deus, porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios”. Veja que o espírito que ora não é o de Deus, é o meu: “porque se eu orar em língua, o meu espírito ora...” (vs. 14). O Espírito Santo não fala/ora em línguas, mas apenas concede que falemos (At 2:4). Todo aquele que foi batizado no Espírito Santo por Jesus e falou em línguas, tem o dom de línguas. Usar um dom é, muitas vezes, como usar um dos nossos cinco sentidos. Por exemplo, se você estiver na cozinha lanchando e a televisão estiver ligada, você simplesmente ouve a televisão, mas se quiser prestar atenção ao que está sendo falado, você aciona sua audição e passa não só a ouvir, mas a receber a informação transmitida. Alguns dons são assim, você aciona e usa, em seu benefício ou em benefício de outros (I Co 14:12). No caso das línguas você usa em seu próprio favor, pois, “o que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo” (vs. 4). A palavra grega para edificar é oikodomei, e significa, edificar, construir, reconstruir, reedificar, restaurar, fortalecer, beneficiar. O tempo do verbo é o presente do indicativo ativo que enfatiza a ação contínua que é habitual, portanto, o que ora em língua estranha, acionando seu sentido espiritual por simplesmente abrir a boca, uma vez que as línguas já estão dentro de nós pela presença e dádiva de Deus, o seu Espírito, a si mesmo se fortalece; a si mesmo se prepara. Não é suficiente falar em línguas como não é suficiente cantar, tem que falar com Deus!

A falta de compreensão desta verdade tem privado muitos crentes de uma vida espiritual mais abundante. Quando falamos em línguas algo acontece dentro de nós. Não ficamos tão vulneráveis, nos robustecemos espiritualmente e fluímos no Espírito que está dentro de nós. Eu sempre achei que para falar em línguas tinha que sentir alguma coisa, mas, graças a Deus, descobri que isso não é verdade. Deus me deu, portanto, é só usar e me fortalecer nEle.

No início algumas dúvidas podem surgir, mas não pare, você tem a promessa de um Deus que promete te conduzir pelo Seu Espírito em toda a verdade (Jo 16:13). Confie nEle e comece a subir o Rio. Paulo também orienta que aquele que fala em língua estranha deve orar para que também a possa interpretar, a fim de que ore com o seu espírito e também com o seu entendimento (I Co 14:13-17).

CONCLUSÃO

Arrependimento não é uma oração feita uma só vez quando recebemos a Cristo na famosa “oração do pecador”, em que o pregador vai nos conduzindo e nós repetindo. Arrependimento é uma maneira de viver, é uma decisão do coração para mudança. A obra do arrependimento não estará completa até que o fruto da justiça apareça, por outro lado, a santidade ministrada a nós pelo Senhor via arrependimento, precisa ser fortalecida. Quando disse que a oração no espírito é o elemento mais importante unido à Palavra, é porque todos os outros elementos são o resultado destes dois. Não há Escudo, nem Calçado, nem Verdade, nem Capacete sem Espada e sem oração. Enquanto você lê a Palavra e ora em línguas, vai se fortalecendo no Senhor e na força do Seu poder; vai vestindo a Sua Armadura, e quando vier o dia mal, você vai vencer tudo e ficar firme como os montes de Sião, que não se abalam, mas permanecem para sempre.

Arthur Alexandre Costa Pereira - Bacharel em Teologia/ O Arthur foi meu prof. de Introdução Bíblica no seminário Ceforte em Petrópolis.Excelente caráter!!!

14 julho 2008

Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério...

Estou perplexo com o que tenho visto na internet em relação ao Cristianismo. Tem aparecido em nosso meio vários tipos de "movimentos", e o que me causa maior espanto é o hiper-calvinismo.
Estava lendo uns artigos esdrúxulos do site Monergismo e não aguentei, então aí vai:

A matéria está aqui: http://www.monergismo.com/textos/pentecostalismo/dom-linguas_samuel-davidson.pdf

Refutação de "Dom de Línguas" /Samuel R. Davidson

As Línguas nos Evangelho

Primeiramente concordo com o autor; Cristo jamais trouxe confusão para os homens, mas os homens é que fazem enleio a interpretação das Escrituras.

É simplesmente ridículo afirmar que a promessa das línguas teria sido feita em relação à pregação do Evangelho, o texto de Mt 28 não fala sobre sinais, portanto não servirá para análise nesta tese.
No Evangelho segundo Marcos no capítulo 16 versos 17-18 é relatado:

"E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas;
Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão."

Marcos fala acerca de SINAIS, não fazendo em hora nenhuma alusão a ensino ou pregação da Palavra nestes versículos; falar um outro idioma não é um sinal, mas como ele (Samuel R. Davidson) mesmo diz: "um grande trabalho aos homens".


Jesus Cristo se referia a fatos sobrenaturais, ou por acaso o Sr. Samuel crê que beber um veneno e não morrer é normal; ou será que Jesus achava seus discípulos tão ignorantes ao ponto de chamar de sinal o fato deles aprenderem outros idiomas (rs)!

As línguas em questão serviram como sinais (prodígios)!

Será que falar um outro idioma serve como sinal aos cristãos? Se for assim então o Jô Soares (fala 5 idiomas) faz sinais (coisa sobrenatural;prodígios;milagre) tremendos em seu programa!

Em relação ao último versículo do cap. 16 de Marcos é meramente a ratificação das profecias de Cristo que estavam se cumprindo!

Faço uma pergunta: Os seguidores crentes em Cristo extinguiram-se?

Se sua resposta for não (e espero que seja!), nesse caso afirmo: Então os sinais existem!


As Línguas no livro de Atos

Neste tópico o autor mostra ser um total leviano. Como dizer que não é explicado o que aconteceu em Atos 8:14-19. Será que ele utilizou a Bíblia Sagrada para seu estudo ou sua “Bíblia” foi escrita por algum monge (rs)?

Então vamos lá, Atos 8:14-19:

14 Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João.
15 Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo
16 (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus).
17 Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.
18 E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro,
19 Dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo.

Pergunta: Como Simão tinha tanta certeza (a ponto de oferecer dinheiro) que realmente eles receberam o Espírito Santo?

Resposta: Através dos sinais e prodígios (Mc 16) que presenciava [e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito. (vers.13b)]

Há! To lembrando de algo: Será mesmo que os sinais foram cumpridos antes de Marcos ter escrito seu Evangelho? Hein sr. Samuel?

No demais: as perguntas feitas são desfeadas e incompreensíveis no tocante a hermenêutica do texto analisado!

Joel não fala de línguas, mas fala de sinais! Assim como Jesus fala de novas línguas, como sinais! Então entendemos que tanto no Antigo Testamento, quanto no Novo fala-se sobre sinais e prodígios durante todo período anterior à vinda de Jesus Cristo para julgar vivos e mortos!

Joel fala que após o derramamento do Espírito ocorreriam: profecias, revelações (sonhos e visões), aflições aos homens e catástrofes naturais (céu/mar).

Jesus fala de grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.

O que deve ser entendido é que não podemos interpretar a Bíblia somente de forma literal, porque assim é que surgem as heresias e seitas! O que analisamos são os prodígios em si; como se pode afirmar que as línguas não apareciam mais no contexto bíblico de Atos? Porque então os judeus iriam dizer que todos aqueles estariam cheios de mosto? A linguagem daqueles homens não podia ser compreendida pelos incrédulos, assim como hoje (rs).


Porque se aparece poucas vezes relatado em Atos dos Apóstolos a referência dos sinais de novas línguas, podemos afirmar que eram fatos raros? Ou até desnecessários a Igreja?

Muitos outros atos aconteciam em Jerusalém e são pouco relatados no livro, nem por isso podemos afirmar que são acontecimentos dispensáveis a nossa apreciação!

Você conhece Andrônico e Júnias, parentes de Paulo? Pois é, não faziam parte dos treze, mas eram notáveis entre os apóstolos (Rm 16:7).

As Línguas nas cartas dos Apóstolos

Para começar este tópico vou responder a patética pergunta do autor, fazendo uma outra (esta sóbria):

Quer dizer que por aparecer somente em um livro do NT ou por ter poucas vezes sido mencionada (segundo você) pelos apóstolos em suas epístolas, faz um ensino não ser planejado por Deus?
Se sua resposta for sim (espero que não!): Então você é um incauto (indouto)!

De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?
I Co 14.16


Em referência a I Co 13 "as línguas cessarão", veja:

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; I Co 13.8

Paulo em momento nenhum ensina que o dom de línguas se cessaria bem antes da vinda de Cristo! O Apóstolo explica que o AMOR é perfeito, e que somente quando o que é perfeito (JESUS É AMOR) vier toda profecia, dons e ciência serão extintos!!!

Sobre seus conceitos de novas línguas, fazendo menção a outros idiomas já abordei no começo desta refutatione (rs).

O fato da pessoa interpretar o dom de línguas, não quer dizer que seja um idioma natural!

Veja: “Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.” I Co 14.2

Se ninguém o entende, obviamente não é uma linguagem entendida por homens! Mas como a própria Palavra de Deus diz: “Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar” I Co 14.13

Certamente interpretar esta linguagem não requer intelectualidade humana, mas uma dádiva divina.
Somente é alcançada por meio da fé, sendo assim o formalismo de alguns teólogos calvinistas jamais entenderá este mistério!

“A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder;
Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.
Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam;
Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória;” I Co 2.4,5,6,7.

Como você viu a ciência será aniquilada, lembra? É meu querido, mistério...(rs)

Adorei você ter descoberto (em letras garrafais) que 5 palavras entendidas valem mais que 10 mil não entendidas, creio que sua descoberta é maior que a da pólvora.

Será que o fato de uma pessoa falar em outros idiomas naturais serviria para convencer os incrédulos? Que loucura!

Quem disse ao sr. Samuel que as pessoas que tem o dom de línguas perdem o controle próprio? Falta informação ou é preconceito?

Quem disse ao sr. Samuel que este dom está aparecendo em incrédulos? Imagino que até os hereges que dizem falar em línguas crêem em algo (mesmo que seja em objetos inanimados)!

Meu Deus, quanta deturpação! Apocalipse 5.9 fala sobre a visão do Apóstolo João dos cânticos e Louvores dos seres celestiais ao Senhor devido ao sacrifício vicário de Cristo no Calvário!

CONCLUSÃO

Percebe-se preconceito religioso, ignorância no tema abordado e o autor ser desinformado na prática dos DONS espirituais por parte da Igreja Contemporânea.

Ele considera os Pentecostais hereges simplesmente por falarem em línguas estranhas. Mas será que são mesmos os pentecostais hereges?

Quem é que fica pregando por aí que Deus levou Seu Filho a cruz do Calvário somente para alguns?

Quem é que fica ensinando por aí que Deus ama somente uma determinada casta? Fazendo acepção de pessoas?


Entendam o princípio da Eleição: Para haver uma eleição devem-se existir CANDIDATOS! E para o Senhor TODO aquele que invocar (CANDIDATAR-SE) seu nome será SALVO!!!

Sei que em alguns momentos, pareci satírico no trato desse assunto, mas não é nada disso. São apenas recursos que eu uso para descontrair e aliviar um pouco a dor que o coração sente, ao ver tanta coisa que se estabelece aos cristãos, que foram libertados para o alvedrio, submetendo-o de novo a jugo de escravidão [Gálatas 5].

Eduardo Neves (Pentecostal pela Graça de Deus e falando em línguas! Oh Glória!).

03 julho 2008

Porque a ira destrói o louco; e o zelo mata o tolo.


Lembro-me daquela tarde de Dezembro de 2003 como se fosse hoje, meu coração ardia, meus olhos marejavam e eu nem sabia o porquê, mas ansiava em entregar minha vida a Jesus Cristo. Logo eu que vinha de uma família tradicionalmente Católica (devido à origem portuguesa) e que há alguns anos tinha tido uma experiência com as religiões afro-brasileiras (umbanda e candomblé); como iria explicar as pessoas que se relacionavam comigo aquela decisão, logo eu que era considerado a "ovelha negra" da família (tinha uma vida airada).

Mas a verdade era que aquele sentimento de culpa interior vinha sobre mim de uma forma inconfundível, como se eu ouvisse uma voz que dizia: “Lavarei as suas vestes e as branquearei no sangue do Cordeiro”. Não podia me aproximar de uma Igreja Cristã, que sentia um desejo de estar ali junto de todas aquelas pessoas e me tornar um verdadeiro discípulo de Cristo.

Ainda hoje, quando fecho os olhos e penso naqueles dias, sinto muita alegria de saber a misericórdia que estava reservada para minha vida. Meu amor pela Bíblia era, sem dúvida, a característica mais marcante. Em pouco mais de 5 meses já tinha lido todo Novo Testamento e minhas experiências espirituais me faziam crescer a cada momento. Queria me tornar um evangelista, visitar hospitais, presídios, orfanatos, asilos; enfim ser um servo habilitado por seu Senhor.

Comecei minha caminhada no Evangelho de Cristo com muito empenho, duas horas antes de o culto iniciar já estava devidamente posto em ordem, com a Bíblia Sagrada em minhas mãos não via a hora de começar os louvores e ouvir a mensagem de Deus para meu coração. Não conseguia mais enxergar aquele velho homem, ele tinha ficado no esquecimento; casei-me e Deus me deu um lindo filho.

Podia perceber a mudança radical que estava acontecendo, e é neste momento que o Espírito Santo permite que tal pessoa reconheça o que é viver no reino de Deus. Procurava ajudar ao máximo meus irmãos na fé, tinha um zelo enorme pela igreja e sua obra. Foi justamente por este zelo, que comecei a presenciar que as coisas não eram como eu cria que deveriam ser.

Embora exista relação entre a bondade e a benignidade, a primeira faz referência à maneira como devemos viver dando testemunho da existência de Deus. Freqüentava uma denominação em que a maioria dos membros eram bem remotos (frios), pareciam desafortunados e até um pouco altivos. Mas fingia (para mim mesmo) não enxergar nenhum destes problemas, entrava com um único intento: adorar e agradecer meu Deus.

Foi até o dia em que tentei me aproximar do pastor, para tentar conhece-lo e buscar esclarecimentos quanto as Escrituras em relação a meu batismo. Tinha a visão de um exemplo na maneira de falar, na maneira de agir, no amor, na fé e na pureza; mais infelizmente na primeira vez que me aproximei deste homem ele se portou de forma bem hostil.

Fiquei estarrecido, não conseguia acreditar naquilo. Parecia que o mundo tinha me pregado uma terrível surpresa, um homem que teria a obrigação de no mínimo me prestar uma palavra de amor, me traria muita tristeza.

Porque faria aquele homem tal coisa? Falta de transparência, apego ao poder ou egocentrismo?
Atender aos mandamentos de Deus, cooperar uns com os outros, ter amor pelas pessoas, incentivar uns aos outros na fé representa caminhar em direção à plenitude de Cristo. Unidade na diversidade (e eu acrescentaria na adversidade) é o segredo do bom testemunho do pastor ao mundo inteiro.

Foi então que comecei a entender porque conhecia tantas pessoas que saíam daquele lugar magoadas. Recordo de uma senhora que tinha uma loja (tipo $1,99), e queria doar arranjos de flores para a igreja e este pastor passava sempre a frente de sua loja, e de forma arrogante nunca entrou em seu estabelecimento, nem que fosse para agradecer (já que ele parecia indiferente com o presente da irmã) aquela senhora por seu gesto; lembro de um jovem irmão que até hoje carrega uma tristeza em seu coração, pois devido a um deslize em sua caminhada, foi “convidado a procurar outra igreja”, ou não diz as Escrituras: “Porque sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal” (Provérbios 24.16) ou “MEUS filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.” (I João 2.1)

Entendi que aquele discurso era hipócrita, e que ele fazia da igreja seu quintal particular. Seus filhos devido sua truculência, abandonaram a fé e se apostataram; com dinheiro de dízimos e ofertas tem coragem de pagar faculdade de cinema para um de seus filhos.

Será que um ímpio cineasta trará algo de bom para o reino de Deus?

Não sei se este senhor acredita que uma vez salvo, salvo para sempre; mas a verdade é que ele assim utiliza dinheiro santo (separado para obra), para deleites de sua família ímpia.

Dizem até que ele agora é bispo, mas a Palavra não diz: “Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia”.
“(Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?);” I Timóteo 3.4,5

A união é um elemento muito importante para a vida em sociedade, principalmente na sociedade de cristãos, de pessoas que devem ter em mente mostrar a face do Ourives para todos os que se encontram em um crisol a fim de que contemplem o Seu misericordioso amor, concedido sem medida a todos os pecadores, os quais pretende transformar em ouro puro refinado.

Olhar para a história sempre é um caminho muito rico e seguro para extrair ilustrações que funcionam como alerta para todos nós. Durante o reinado de Luís XIV, o governo francês tomou uma medida inusitada, ao disciplinar às saudações feitas com o chapéu. Dependendo do grau de importância de quem era alvo da saudação, o cumprimento seria feito com um toque na aba, erguendo o chapéu um pouco, sem retirá-lo. Nos casos de figuras proeminentes, o chapéu seria tirado inteiramente, fazendo-o quase roçar o chão.

Da mesma forma que o rei Luís XIV preocupou-se demasiadamente com questões de pouca importância, boa parte da liderança evangélica se ocupa atualmente com a parte cosmética do evangelho. Numa espécie de farisaísmo pós-moderno, mantém ministérios irretocavelmente caiados, enquanto a ética apodrece nos corações cheios de ambição. Sem discernimento, usam os chapéus do mundo, não se dando conta de que eles funcionam como uma barreira na comunhão com o Pai. Minha oração é que o Senhor não lhes reserve o mesmo destino que teve um dos famosos sucessores na monarquia francesa, o rei Luís XVI. Esse imperador perdeu não apenas o chapéu, como também a própria cabeça.

Possa o Pai reacender em nossas mentes a chama da valorização da ética, erguendo nossas vidas como um luzeiro para iluminar esse mundo enegrecido pelas tintas do pecado. Somente assim cumpriremos o propósito que nos foi desenhado por ele: um ministério de tirar o chapéu! Que assim seja.

Observação

Pastores; existem pessoas (ovelhas) em suas igrejas com necessidades espirituais e materiais! Vocês acham que se eximem do fato de buscá-las pondo no telão a responsabilidade aos seus diáconos (homens que não vivem dos dízimos nem ofertas, e que tem que trabalhar para sustentar suas famílias, enquanto os senhores ficam desfilando de carrão/carro popular nem pensar/que soberba!).

Vocês já imaginaram Jesus hoje, com a miséria na vida de tantas pessoas e andando com uns carros deste valor, francamente.

Escrevo esta mensagem para sua (pr.) reflexão e deixo esta passagem: MEUS irmãos, muitos de vós não sejam mestres (pastores), sabendo que receberemos mais duro juízo. Tiago 3.1

Deus abençoe a cada um de nós, para que sejamos vitoriosos e saiamos dos crisóis da vida, tantos quantos vierem purificados, aperfeiçoados, no caráter de Cristo, sob a unção do Espírito Santo, o Consolador.

Eduardo Neves.