02 dezembro 2008

Igreja e Culto – Parte 4

..."Liberdade de espírito e disciplina litúrgica"...

(...) O valor dos cultos cristãos mais antigos estava em coordenar harmonicamente a liberdade espiritual e a disciplina litúrgica para o alvo da “edificação” da Igreja. Indubitavelmente, existia desde o princípio o perigo duplo de apagar o Espírito ou de aceitar cegamente toda manifestação que pretendesse passar por sua. Era requerido um alto sentido de valor e ordem, para se manter o equilíbrio entre elementos tão dispares como a glossolalia e a profecia, de uma parte, e os atos e as fórmulas litúrgicas estabelecidas, de outra. (...) Esta síntese harmoniosa de liberdade e de disciplina é o que constitui a grandeza do culto primitivo e o que lhe confere seu caráter peculiar. Paulo tinha constantemente presente esta “edificação” da Igreja como corpo de Cristo; por isto, não caiu no erro de reduzir a um mínimo a vida litúrgica por temor ao formalismo, nem no de desterrar, de pronto, todas as manifestações espontâneas do Espírito por temer o sectarismo. Se a Igreja houvesse ficado fiel a essa linha de conduta, teria impedido eficazmente o nascimento de seitas e facções.

Oscar Cullmann. La fé y el culto em la Iglesia primitiva. Madrid, Studium, 1971. pp.175s.

Perguntas: * participação democrática dos membros de uma Igreja nos cultos modernos?
*O formalismo litúrgico contemporâneo dá liberdade ao Espírito para atuar nas almas famintas?

Esta tese abaixo é de Arthur Alexandre Costa Pereira – Pastor e Bacharel em Teologia. O Arthur foi meu professor de Introdução Bíblica no seminário Ceforte em Petrópolis/RJ.

Não extinguir o Espírito (I Ts 5:19).

O termo extinguir tem vários sentidos, entre eles, sufocar, apagar, limitar. Esse sufocamento tem dois níveis. O nível congregacional e o nível individual. O sufocamento em nível congregacional é promovido por aquele que dirige o culto. Existe uma herança litúrgica romana muito forte dentro da igreja de Cristo, a partir da fusão da Igreja com o Estado em 313 a.D. Os cultos na igreja primitiva eram espontâneos. Um tinha salmo, outro doutrina, outro revelação, profecia, cântico espiritual, etc. A partir da referida data, o culto passou de espontâneo a litúrgico. Uma metodologia engessada foi introduzida e os cultos foram se tornando frios até chegarem ao que hoje conhecemos por missa. O culto passou a ser fruto da mente e não algo gerado pelo Espírito de Deus. Quando o Espírito Santo consegue aquecer a igreja e esta começa a responder à Presença de Deus com adoração, línguas e orações espontâneas, o dirigente diz: “Amém; amém. Aleluia, amém”. Na verdade, o que ele está falando é: Espírito Santo fique quieto, afinal, está na hora da mensagem, que por sua vez, também costuma ser fruto do treinamento. A noiva é arrancada violentamente dos braços do Noivo em nome do programa a ser seguido. A prédica é perfeita! Os recursos homiléticos e hermenêuticos garantem a precisão exegética e expositiva da mensagem, só não conseguem produzir a unção necessária para satisfazer as almas famintas. Que pregação nossa pode substituir o que o Espírito Santo está fazendo?

A extinção do Espírito nesse nível é um câncer tão severo que em 24 de Agosto de 1662, dois mil ministros puritanos foram excluídos dos seus púlpitos pelo Ato de Uniformidade, baixado pelo Parlamento inglês, conhecido pelos evangélicos como A Grande Ejeção. A religião oficial era a Igreja Anglicana, e forçava os puritanos a se moldarem à adoração litúrgica decretada por lei. Eles preferiram o silêncio à transigência.

O sufocamento em nível individual é o fruto do sufocamento em nível coletivo. O novo crente não é ensinado a andar no Espírito. Ensinam a ele como a denominação funciona, e não como o reino de Deus funciona. Quando é tocado particularmente pelo Espírito no banco, ou no púlpito, se sente inibido, afinal, se eu levantar as mãos e começar a adorar a Deus fora do período de louvor ou se sentir vontade de me prostrar ao Senhor no corredor no meio da mensagem, o que as pessoas vão falar de mim? Se eu começar a dançar perante a Arca, Mical pode me reprovar (II Sm 6).

Alguém vai contra argumentar dizendo que o culto precisa ter ordem. Eu concordo. Nosso Deus é um Deus ordeiro, mas quando Paulo fala da ordem do culto em I Co 14, ele não está falando de liturgia. Ordem e liturgia são duas coisas diferentes. A liturgia está fora da ordem de Deus.

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28 novembro 2008

Igreja e Culto - Parte 3


...“Origens do Culto Primitivo”...
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(...) O culto cristão se diferencia de todos os demais, porque se dirige ao Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo. Seu desenvolvimento é peculiar porque o Espírito Santo está com e na Igreja para aconselhá-la e dirigi-la desde o dia de Pentecoste. É isto que dá ao enfoque histórico do culto, validade peculiar e importância prática.

O Novo Testamento foi redigido antes que o culto cristão alcançasse seu desenvolvimento pleno, porém não nos deixa sem um testemunho claro. O livro de Atos retrata a vida primitiva da Igreja, e as epístolas e o Apocalipse acrescentam outros detalhes. Quatro coisas sobressaem:

1. Pelo menos por algum tempo os cristãos continuaram participando do culto nas sinagogas e no templo;

2. Os cristãos compartilhavam frequentemente uma refeição comum conhecida como o “ágape” ou festa do amor.

3. Usualmente, ao terminar o “ágape”, e, às vezes à parte dele, os cristãos celebravam a eucaristia em obediência ao mandamento de nosso Senhor dado na última ceia.

4. Esta ação era seguida, geralmente, de profecias ou discursos em línguas, um exercício extático para o qual alguns tinham dons especiais, mas que devia ser cuidadosamente controlado, como se pode ver nas admoestações de Paulo acerca da questão. Em uma época relativamente cedo, aproximadamente na metade do segundo século, os elementos 2 e 4 desapareceram da vertente principal do culto cristão. Por conseguinte, não precisamos nos ocupar deles. Limitar-nos-emos a atentar para os dois elementos permanentes que derivam respectivamente da sinagoga e do cenáculo.

A leitura e exposição das Sagradas Escrituras em um ambiente de louvor e adoração constituíram desde o princípio um dos elementos essências do culto cristão. Esta é uma herança direta da sinagoga judaica.

Nosso Senhor mesmo, “como era de costume”, participava regularmente do culto das sinagogas; a primeira coisa que o apóstolo Paulo procurava, ao chegar a uma cidade, era à sinagoga; e os cristãos de origem judaica amavam a sinagoga e seus costumes, onde haviam adorado e recebido sua educação desde a meninice. Era, portanto, de se esperar que quando os cristãos fossem expulsos das sinagogas, seu culto seguisse linhas similares e contivesse muitos dos elementos anteriores.

Pelo contrário, o culto do Templo deixou poucos vestígios sobre o culto cristão e isto por duas razões principais:

1. A grande maioria dos judeus da Dispersão nunca participaram do culto do Templo e, mesmo na Palestina, o verdadeiro lugar do culto judaico no tempo de nosso Senhor se encontrava nas sinagogas; ademais, para os cristãos de origem pagã pouco significavam o Templo e seu culto.

2. Quarenta anos depois da morte de nosso Senhor, o Templo foi destruído pelos romanos para não ser reconstruído nunca mais; as sinagogas permaneceram. (...)

O culto cristão não era uma cópia exata do culto da sinagoga. Havia uma ênfase e um conteúdo novos de acordo com a nova revelação e para expressar o novo espírito. O centro de interesse passou da Lei para os livros proféticos. Logo, embora demorasse mais de um século para que o cânon se determinasse, as Escrituras começaram a tomar forma, incluindo as cartas e memórias dos apóstolos e de outros, coleções dos ditos e os atos de nosso Senhor Jesus Cristo, e finalmente o Apocalipse. (...)

A tudo os cristãos primitivos acrescentaram outro elemento derivado diretamente de nosso Senhor, a perpetuação em oração e comunhão sacramental da experiência do cenáculo. (...) A experiência estava carregada com o poder da ressurreição; e, em obediência à exortação apostólica, logo se tornou costume a celebração da Ceia do Senhor no primeiro dia da semana, ao raiar da manhã, na hora em que Ele se lhes aparecera, como hora do culto. O dia do Senhor não era a sexta-feira, dia da Sua morte, mas o domingo, o dia da Sua ressurreição; e a esse dia pertencia o seu mais exaltado ato de culto, no qual exibiam vitoriosamente Sua morte na eucaristia, pelo que Ele mesmo, seu Senhor ressuscitado, estava presente com eles. Não tinham nenhuma teoria da presença de nosso Senhor no sacramento tal como as que viriam dividir a Igreja em dias posteriores, mas o conheciam como um fato da experiência espiritual, como uma realidade vívida.

Reunindo, então, as referências ao culto que aparecem no Novo Testamento à luz da história posterior – um procedimento razoável já que a história prossegue – chegamos a uma descrição geral só no fim do primeiro século.

Primeiro; o que surgiu da sinagoga: lições da Bíblia (I Tm 4:13; I Ts 5:27; Cl 4:16), salmos e hinos (I Co 14:26; Ef 5:19; Cl 3:16), oração em comum (At 2:42; I Tm 2:1-2) e améns da congregação (I Co 14:16), um sermão ou exposição (I Co 14:26, At 20:7), uma confissão de fé, embora não necessariamente a recitação formal de um credo (I Co 15:1-4; I Tm 6:12) e talvez ofertas (I Co 16:1-2; II Co 9:10-13; Rm 15:26).

Segundo, geralmente junto com esses elementos, a celebração da Ceia do Senhor, derivada da experiência do cenáculo (I Co 10:16, 11:23; Mt 26:26-28; Mc 14:22-24; Lc 22:19-20). A oração de consagração incluiria ação de graças (Lc 22:19; I Co 11:23, 14:16; I Tm 2:1), recordação da morte e ressurreição de Nosso Senhor Jesus Cristo (At 2:42; Lc 22:19; I Co 11:23,25,26), intercessão (Jo 17) e talvez a recitação da oração do Senhor (Mt 6:9-13; Lc 11:2-4). É provável que nesta parte do culto houvesse cantos e o ósculo santo (Rm 16:16; I Co 16:20; I Ts 5:26; I Pe 5:14). Os homens e as mulheres estavam separados como nas sinagogas; os homens, de cabeça descoberta, e as mulheres, de véu (I Co 11:6-7). A atitude para a oração era por-se de pé (Fp 1:27; Ef 6:14; I Tm 2:8).

Desta maneira o culto cristão, como extressão distinta e autóctone, nasceu da fusão da sinagoga e o cenáculo, no crisol da experiência cristã. Assim fundidos, cada um contemplando e estimulando o outro, converteram-se na norma do culto cristão. O culto cristão conheceu outras formas de expressão, mas estas pertencem à periferia e não ao centro. O culto típico da Igreja se pode encontrar até o dia de hoje na união do culto da sinagoga e a experiência do cenáculo; essa união data dos tempos do Novo Testamento.

*Willian D. Maxwell. El culto cristiano; su evolucion y sus formas. Buenos Aires, Methopress, 1963. pp. 16-21

24 novembro 2008

Igreja e Culto – Parte 2


O caráter especificamente cristão dos cultos da Igreja primitiva

(...) Os cultos tinham a finalidade de edificar a comunidade como corpo de Cristo, como corpo espiritual do Ressuscitado. Como corpo de Cristo, a Igreja tomará forma em suas assembléias. Assim, ao reunir-se a comunidade se edifica a si mesma como Igreja. E como a Igreja assim edificada é o corpo espiritual do Ressuscitado, podemos afirmar também que Cristo mesmo está representado pela Assembléia da comunidade. (...)

(...) Este fim purifica o culto de todos os elementos que só satisfazem necessidades profanas, egocêntricas e humanas, mas não exclui o iluminismo que possa arrebatar ao culto sua riqueza sob o pretexto de depurá-lo. O partir do pão, a leitura das Escrituras, a pregação, a confissão de fé, as orações, as doxologias, as bênçãos, os hinos litúrgicos e espontâneos, a profecia controlada, a glossolalia e a interpretação de línguas, todos estes elementos diversos que encontramos no culto da Igreja primitiva concorrerão exclusivamente para a edificação da Igreja como corpo de Cristo. Por isto não cremos que estes elementos fazem do homem o único agente principal do culto; é a comunidade congregada que é o órgão do qual Cristo se serve para representar seu corpo como Igreja. Por isto se requerem carismas especiais para o exercício dos diversos elementos da liturgia, e a assembléia é a posse de um dom que Deus outorga aos homens. Somente na glossolalia é o Espírito mesmo que “geme” (Rm 8:26), porque nas orações e confissões, na adoração e nos hinos, e particularmente na divisão do pão, é o Senhor que atua.

(...) A ceia é o ponto culminante da qual todo o culto primitivo se centraliza e sem a qual não se pode concebê-lo. É na ceia que Cristo, o crucificado e o ressuscitado, se une a Sua Igreja e ela a Ele, na ceia Ele a “edifica” verdadeiramente como Seu corpo (I Co 10:17). Assim sendo, também todos os outros elementos do culto têm como objeto o ressuscitado, Senhor da Igreja, desta maneira, o dia da ressurreição é o dia do culto do Seu povo; por isto, a pregação não visa outra coisa senão despertar e fortalecer a fé nesse Senhor morto e ressuscitado. A leitura da Bíblia concede testemunho Dele somente; a confissão dos pecados apela à expiação e a reconciliação, obras Suas; a oração é, antes de tudo, uma súplica para que venha, gloriosamente ao fim dos tempos, mas que antecipe já esta vinda com Sua aparição na Igreja congregada.

O culto primitivo é essencialmente uma criação do Espírito Santo. Assim vemos porque no centro da assembléia cristã está o Senhor atual da Igreja que, de uma parte, remete ao Jesus histórico crucificado e ressuscitado, e, por outra, anuncia o Cristo que virá. O que caracteriza o Espírito Santo segundo a doutrina novi-testamentária é, efetivamente, que Ele condiciona o presente no desenvolvimento do período da salvação, e que vem apregoar antecipando já o fim, o porvir, sobre a base do que no passado se realizou em Cristo. Essa essência do Espírito Santo pode ser percebida de modo claro no culto da Igreja primitiva. Nele se realiza a partir de Cristo no presente, tudo o que se manifestará no momento da parousia. (...)

A Igreja cristã é o lugar do Espírito Santo e Ele se manifesta de maneira particular nos cultos dos primeiros tempos. É verdade que os mistérios gregos e sua intensa vida litúrgica conhecem também o Espírito. Entretanto, Ele era entendido como a transcendência penetrando na imanência. Por seu lado, na Igreja é o futuro que se realiza no presente sobre o fundamento passado; em outras palavras, é o cumprimento da esperança futura, antecipada no culto da Igreja. Este caráter temporal do Espírito Santo se reflete na essência mesma do culto cristão, razão por que não se trata da representação de um mito, já que a ação presente de Cristo está firmemente ligada aos fatos históricos do passado e aos que a Igreja aguarda para o futuro.

*Oscar Culmann. Lá fé y el culto em la Iglesia primitiva. Madrid, Sutidium, 1971. pp. 177-179

21 novembro 2008

Igreja e Culto - Parte 1

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Nos próximos meses estarei postando aqui no “Entendes tu o que lês?” sobre a História do Cristianismo!

Vou apontar ligeiramente alguns aspectos da história da igreja, especialmente: evangelização (estratégia da expansão e teologia missionária), política (a relação da igreja com o estado) e culto (desenvolvimento litúrgico e organização formal da igreja).

* IGREJA E CULTO (Novembro-Dezembro)
* IGREJA E POLÍTICA (Janeiro)
* IGREJA E EVANGELIZAÇÃO (Fevereiro)

Será um estudo que tem por finalidade levar nossos amigos leitores a enxergar o grande abismo entre o verdadeiro ideal da igreja cristã e o estado presente de omissão, hierarquização e aburguesamento (com raras exceções).

Necessariamente alguns textos serão controversos. Deles discorde. Essencialmente alguns textos induzirão os nossos pressupostos. A partir destes, discuta. E aos que existirem erros, denuncie!

Agora se alguém reconhecer que os escritos são verdadeiros, não os ignore.

A organização da Igreja Primitiva



As normas exatas da comunidade cristã no primeiro século, assim como a existência de formas, foram e são temas de debates. Isto em parte se explica que nas gerações seguintes os cristãos buscavam na organização do cristianismo primitivo a autoridade para a estrutura de sua seita particular da igreja. Explica-se também pelo caráter fragmentário das evidências, que por isto não nos levam a conclusões incontestes.

Nas duas ou três primeiras gerações, a comunidade cristã apresentava grande variedade. Não existia nenhuma administração central como meio de agrupar as muitas unidades locais da igreja em uma estrutura articulada e única. A igreja de Jerusalém, como o centro inicial de fraternidade cristã, tratou de exercer alguma forma de governo, especialmente na questão muito discutida do grau de ajustamento à lei judaica. Até certo ponto, prestava-se atenção à lei, talvez devido ao respeito mostrado diante das autoridades judaicas estabelecidas em Jerusalém pelas comunidades judaicas de outras partes do mundo gentílico, mas não existia nenhuma maquinaria administrativa para uma superintendência geral. Sua autoridade foi antes de prestígio do que de lei canônica. Sob estas condições, não existia nenhum modelo uniforme de prática e governo eclesiásticos.

Antes que se fechasse o primeiro século, a igreja começou a ensaiar certos passos no sentido da organização que, uma vez desenvolvidos, persistiram, embora com algumas alterações, até o século 20. Sabemos que havia ofícios e oficiais. Proeminentes entre estes eram os diáconos, anciãos e bispos.

Sustentava-se, ao princípio, que o precedente para a eleição de diáconos havia de se fundamentar na eleição dos sete, feito pelos doze apóstolos nos primeiros tempos da igreja de Jerusalém, para fazer frente à distribuição diária de provisões ás viúvas. Embora a relação histórica entre “os sete” e o diaconato de dias posteriores não tenha sido demonstrada plenamente e no Novo Testamento jamais tenhamos menção clara referente à existência de diáconos na igreja de Jerusalém, é indiscutível que depois de uma geração ou duas, em algumas das unidades ou igrejas, os diáconos eram considerados como oficiais característicos sendo provável que tanto mulheres como homens servissem neste ofício.

Pode ser que o ofício de presbítero ou ancião tenha sido sugerido pela organização da sinagoga, onde os anciãos eram parte integrante da estrutura eclesiástica. Pelo menos em várias igrejas locais, houve mais de um bispo e a evidência parece apoiar a idéia de que, em princípio, em algumas, e, talvez em todas as igrejas, os títulos de “ancião” e “bispo” eram permutáveis dentro do mesmo posto oficial.

A uniformidade na estrutura eclesiástica não se conseguiu imediatamente. A primeira menção que se faz a cerca do que parecem ser oficiais ou dirigentes na grande igreja gentílica de Antioquia se refere a profetas e mestres, mas de diáconos, anciãos e bispos nada se fala. Em uma de suas cartas, Paulo não diz nada expressamente em relação a diáconos, anciãos ou bispos, embora algumas de suas palavras possam ser interpretadas neste sentido, mas ele fala de apóstolos, profetas e mestres. Em sua epístola aos Romanos se mencionam profetas, ministros, mestres, exortadores, doutores (talvez diáconos) e presidentes; segundo parece ser a ordem familiar a Paulo. Em outra epístola, a lista é: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres. Na primeira geração da igreja de Jerusalém, Tiago, irmão de Jesus, era considerado como líder, mas só mais tarde foi-lhe dado o título de bispo. Parece certo também que a igreja de Jerusalém tinha anciãos. (...)

*Kenneth S. Latourette. História del Cristianismo. El Pasò, Casa Bautista de Publicaciones, 1967. Vol I, pp. 158-161.

02 novembro 2008

“Porque nem todos os que são de Israel são israelitas”

Não seria exagero algum dizer que a igreja contemporânea jamais foi tão desfiada nos seus esforços para manter um padrão bíblico. A medida de seu notável crescimento, também avança dentro da igreja “falsos mestres”, que além de utilizar a igreja aproveitam à mídia (livros, TV, rádio...) para promoverem suas mensagens distorcidas.

Nenhuma geração tem sofrido tanto aos ataques de falsas doutrinas; isso só reforça a necessidade e dedicação ao estudo da Bíblia, e uma cuidadosa atenção aos princípios da interpretação bíblica são imprescindíveis aos cristãos de hoje.

Mesmo entre a comunidade cristã, as falsas interpretações das Escrituras são abundantemente exemplificadas, ilustrando a estupidez de alguns “mestres” de achar que suas heresias são infalíveis, desconhecendo assim as diretrizes gerais para uma interpretação apropriada.

Devemos entender que os ensinamentos de Arminius, Wesley, Zwingli, Calvino ou qualquer outro teólogo, não suplantará a crítica textual quando houver questões sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura.

Tendo o Senhor o conhecimento do curso integral de acontecimentos que são futuros do ponto de vista humano, Deus utiliza Sua Palavra para alertar, admoestar, comunicar fatos que ao homem são impossíveis, assim sendo, demonstra toda Sua graça e poder ao gênero humano.

Ignorando normas da exegese, a doutrina calvinista perde o ponto do equilíbrio e da relação entre a soberania de Deus e a responsabilidade do homem. Não que toda obra e conceito de João Calvino venham a ser desprezados (I Ts 5:21), longe de mim; pois a apreciação de Calvino acerca de um quádruplo ministério, revela que a assistência social estava entre as suas principais preocupações e seu pensamento social sobre riqueza e pobreza, bem-estar social e questões correlatas fazem deste reformador um expoente nesta tese absolutamente necessária à sociedade.

Segundo o próprio adepto da teologia calvinista Charles H. Spurgeon, a doutrina da predestinação é um mistério (incompreensível, inexplicável), que o texto de Romanos 9 é “assustador” (entendemos aqui sua visão da Divindade), e aquele que pensa compreender o propósito deste ensinamento se faz desconhecedor, assim como ele dizendo-se incapaz de explicá-la.

Martinho Lutero para defender esta espúria doutrina fatalista chegou ao ponto de declarar que os homens que rejeitavam a eleição (segundo a teologia calvinista), tentavam impedir “Deus de ser Deus”, e seu conceito determinista ganhou popularidade.

O autor da literatura “Teologia dos reformadores” Timothy George, fala que o conselho básico de Lutero era característico dos eleitos, não dos réprobos, que tremem em face dos desígnios ocultos de Deus.

O trecho em negrito acima nos lembraria alguém? Leiam “Jacó e Esaú” por Charles H. Spurgeon e tirem suas próprias conclusões (é assustador! Rs!).

Mas a questão é: Teria o Senhor Deus prazer em ver homens tomando as atitudes de Faraó, Esaú, Saul, dentre vários outros; e impondo Seu soberano poder os capacitar e predestinar a serem malignos e subsequentemente perderem-se para todo sempre?

Vamos analisar algumas passagens de Romanos 9, texto utilizado como indício por calvinistas para a doutrina bastarda da predestinação fatalista:

“Foi-lhe dito a ela: O maior servirá o menor.
Como está escrito: Amei a Jacó, e odiei a Esaú.
Que diremos pois? que há injustiça da parte de Deus? De maneira nenhuma.” Rm 9: 12 à 14

Esta passagem das Escrituras que ampararia a idéia do assombroso decreto, examinada sozinha aludi proporcionar apoio para a predestinação fatalista. Mas como texto fora do contexto é pretexto para heresia; vamos esquadrinhá-la.

O capítulo 9 de Romanos trata da eleição de Israel no passado, ou seja, do plano de Deus para a nação judaica. O apóstolo utiliza para melhor compreensão de seus “parentes segundo a carne” (vers. 3), o nome dos antepassados Abraão, Isaque, Jacó e Esaú, para elucidar o propósito de Deus para com os gentios, e como Seu povo Israel que buscava a lei da justiça, não veio a encontrá-la.

Como disse anteriormente as profecias tem como finalidade: alertar, admoestar, comunicar fatos que ao homem são impossíveis e nesta passagem não é diferente!

Porque Deus profetiza a Rebeca que seu filho maior serviria ao menor?

Simplesmente porque tanto Rebeca como nós procederíamos segundo nossa própria limitação e atenderíamos aos desígnios já estabelecidos, e como se entendia que a benção da primogenitura é uma sucessão, logo o abençoado seria Esaú e não o menor Jacó.

Deus então estabelecia segundo Sua presciência “Porque, não tendo eles ainda nascido, nem tendo feito bem ou mal” (vers. 11a) Sua graça, comunicando aos pais o que só Ele poderia saber “o futuro”; o Senhor é conhecedor de todas as coisas, Ele sabia que a geração que iria se levantar através de Esaú (o pai dos Edomitas) seria de enorme hostilidade e crueldade. Um povo sanguinário como este não poderia ser a nação eleita do Deus de Amor!

Então o fato de Paulo dizer “como está escrito” (vers. 13) ratifica o texto de Malaquias citado pelo apóstolo, que fala sobre um povo impiedoso na qual a ira de Deus esta posta para sempre (devido às ações perversas de Edom), e não das pessoas de Jacó e Esaú. Daí a afirmação “De maneira nenhuma” proferida por Paulo ao levantar uma questionamento sobre se Deus estaria agindo com injustiça. O contexto revela “POVOS e não INDIVÍDUOS”!

Literalmente, Esaú jamais serviu a seu irmão Jacó. Quando é dito em Romanos 9:12 que “o mais velho servirá o mais novo”, a profecia somente teve execução com os seus descendentes.

Assim também o versículo 17, que de forma isolada da uma idéia de determinismo por parte de Deus a faraó, mas quando aplicada ao contexto entendemos o contrário da doutrina calvinista:

“Porque diz a Escritura a Faraó: Para isto mesmo te levantei; para em ti mostrar o meu poder, e para que o meu nome seja anunciado em toda a terra.” Rm 9:17

Deus tentaria (induzir ao mal) ao homem? Porque “levantar” com alusão de ver “cair” é maligno; ou não é?

E até onde esse levantar se aplica a este significado, visto a Palavra de Deus em Tiago que diz:

“Ninguém, sendo tentado, diga: De Deus sou tentado; porque Deus não pode ser tentado pelo mal, e a ninguém tenta.
Mas cada um é tentado, quando atraído e engodado pela sua própria concupiscência.” Tg 1:13-14

O significado é apenas que Deus o levantou como um homem, de forma que Deus lhe deu o seu poder, seus talentos, sua posição, e sua honra; e que Deus o levantou como um rei, de forma que ele lhe deu o seu trono, reino e domínio!

Paulo esta falando sobre eleição e reprovação soberana, então o endurecimento do coração de Faraó é atribuído a Deus, devido seu princípio divino de entregar aos seus próprios desejos (Rm 1:24) os que persistem em rebelião a Sua Palavra (Rm 9:18).

Vejam:

“Como está escrito: Eis que eu ponho em Sião uma pedra de tropeço, e uma rocha de escândalo; E todo aquele que crer nela não será confundido.” Rm 9:33

Se atentarmos para a proposta estúpida desta doutrina, devemos então entender que Jesus Cristo foi posto por tropeço aos judeus e não como diz as Escrituras em João 1:11 (“Veio para o que era seu, e os seus não o receberam.”); pela incredulidade dos mesmos é que Cristo foi o tropeço para aquela nação e não porque Deus teria enviado Jesus para ser tropeço ao Seu povo!

Termino este estudo com um convite a todos aqueles que crêem no Deus que não faz acepção, que te ama e chama a todos para um concerto solene em Sua santa e majestosa presença:

“E o Espírito e a esposa dizem: Vem. E quem ouve diga: Vem. E quem tem sede venha; e quem quiser tome de graça da água da vida” (Apocalipse 22.17)

Eduardo Neves.

“E Ele [Jesus] é a propiciação pelos nossos pecados, e não somente pelos nossos, mas também pelos de todo o mundo” (1João 2.2)

28 outubro 2008

“Ignorais que a benignidade de Deus te leva ao arrependimento?”


Vivemos tempos difíceis, em que à sociedade contempla suas paixões infames e continuam não se importando em ter conhecimento de Deus e Sua maravilhosa graça. Assim o pecado vive e reina nos corações insensatos dos néscios, homossexuais, incrédulos e de toda casta iníqua que compõe este ambiente que nos rodeia, trazendo às concupiscências imundas de seus pensamentos a prática rotineira de suas vidas.

Sabemos que a punição por toda esta perversidade, mentira e maldade dos homens é a morte! Rm 6:23

Segundo a teologia calvinista, o homem é incapaz de conhecer a justiça de Deus, sem que este venha a ser atraído e convencido (de forma “exclusiva” e “irresistível”) pelo Espírito Santo ao arrependimento, devido à absoluta depravação do gênero humano.

Surge uma indagação: O apóstolo Paulo cita em sua epístola aos Romanos toda classe de iniqüidade para condenação de seus praticantes (prostituição, malícia, avareza, maldade, inveja, homicídio, contenda, engano, malignidade e etc.), mas logo em seguida afirma que essas pessoas conhecem a justiça divina! Rm 1:29 à 32

Ora; sendo todos inescusáveis e conhecendo a Deus (segundo a manifestação divina, através de Sua criação), seria impossível os homens ficarem inábeis (desconhecer) do juízo em relação a suas devassas práticas de imoralidade. Rm 1:20-21

Se o homem não tivesse autoconsciência e livre-arbítrio, não teria culpa de absolutamente nada. E um estuprador ou qualquer outro malfeitor não poderia ser acusado nem condenado, pois esta seria sua única opção. Então, Deus, que o criou assim, não poderia puni-lo; afinal, sem livre-arbítrio, ninguém poderia agir de outro modo.

A verdade é que milhões de homens a cada minuto ignoram a benignidade divina, devido à dureza de corações impenitentes, omitindo-os de suas responsabilidades morais, o qual a recompensa será segundo as obras de seus atos. Rm 2:5-6

Sabendo primeiro isto, que nos últimos dias virão escarnecedores, andando segundo as suas próprias concupiscências,
E dizendo: Onde está a promessa da sua vinda? porque desde que os pais dormiram, todas as coisas permanecem como desde o princípio da criação.
Eles voluntariamente ignoram isto, que pela palavra de Deus já desde a antiguidade existiram os céus, e a terra, que foi tirada da água e no meio da água subsiste
.” II Pe 3:3 à 5

Vejamos que nos dois primeiros capítulos de Romanos, o apóstolo trata a dureza do coração dos pecadores em referência ao desprezo dos tais a pratica do bem, por isso suas declarações em toda carta fazem analogia ao estado caliginoso dos pecadores que resistem à chamada do Evangelho de Cristo:

Deus lhes deu espírito de profundo sono, olhos para não verem, e ouvidos para não ouvirem, até ao dia de hoje.” Rm 11:8

Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si;” Rm 1:24

O ato de eleição não é (a rigor) parte da aplicação da salvação a nós, visto que se tornou disponível desde antes que Cristo obtivesse a nossa salvação (sacrifício da cruz), mas sabemos que ela é condicionada pela fé mediante a obediência, e não por preferência divina.

O Senhor Deus recompensará cada um segundo as suas obras (“responsabilidades e atos” / “não se entenda obras da lei”); a saber: “A vida eterna aos que, com perseverança em fazer bem, procuram glória, honra e incorrupção;
Mas a indignação e a ira aos que são contenciosos, desobedientes à verdade e obedientes à iniqüidade
;” Rm 2:6-7-8.

E, sendo ele consumado, veio a ser a causa da eterna salvação para todos os que lhe obedecem;” Heb 5:9

E não é pelo simples fato de serem impostas ao homem responsabilidades sobre suas obras, que faz dele merecer ou obter mérito pela graça concedida, pois toda honra e glórias pertencem aquele que os justifica de seus pecados mediante a fé (prática / Tg 2:14 à 17), a saber, Jesus Cristo.

Então onde reside a total incapacidade do homem “natural” (o termo natural é utilizado por adeptos do calvinismo, porque crêem serem “especiais” / doutrina da graça irresistível)?

Entendemos que os homens devem procurar a verdade que já lhe é oferecida; logo compreendemos que a natureza corrompida não nos torna incapaz ou que vivemos em total escuridão que não tenhamos ciência da justiça de Deus. Esse chamado é ende­reçado a pessoas genuinamente capazes de ouvir o convite e de responder a ele (ou não!).

O Evangelho de Matheus nos elucida muito bem este conceito no capítulo 22 na conhecida “Parábola das bodas”. Primeiramente apontado para os judeus, ela se estende a todos aqueles para quem o evangelho é pregado; notemos também que a salvação oferecida pelo evangelho é rejeitada por muitos daqueles a quem ela é oferecida e que o convite é feito sem predileção (vers. 9).

Percebemos que os diligentes procuraram confirmar a vocação e eleição. Então; logo não seria por preferência, mas por obediência ao Rei!

Tenhamos cuidado de não recusar ao que fala (Heb 12:25). Não durmamos como os demais; pelo contrário, vigiemos e sejamos sóbrios (1 Ts 5:6). O Rei em breve entrará para ver os convidados. Já recebemos ou não a veste nupcial? Já nos revestimos de Cristo? Essa é a grande indagação levantada por esta parábola.

"Muitos são chamados, mas poucos escolhidos". Mt 22:14

Deus endurece aqueles que persistem em rebelião a Sua Palavra (Rm 9:18) e os entrega aos seus próprios desejos (Rm 1:24).

Se voltarmos ao Velho Testamento veremos que as primeiras pragas abrandaram por certo tempo o coração do Faraó, mas quando o Senhor sustava cada praga seu coração endurecia novamente; ou seja, sempre que Deus agia com misericórdia Sua graça estava sendo concedida a Faraó e seu povo, mas devido ao coração impenitente do egípcio, Deus agia segundo seu princípio divino e o entregava aos seus próprios anseios malignos.

Muitos calvinistas utilizam à passagem abaixo de forma isolada para alicerçar sua doutrina fatalista:

Compadecer-me-ei de quem me compadecer, e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia.” Rm 9:15

Vamos entendê-la a partir de todo um contexto e não de forma destacada, então para isto vamos ver o motivo destas palavras do Senhor ao Seu servo Moisés:

Então disse o SENHOR a Moisés: Farei também isto, que tens dito; porquanto achaste graça aos meus olhos, e te conheço por nome.
Então ele disse: Rogo-te que me mostres a tua glória.
Porém ele disse: Eu farei passar toda a minha bondade por diante de ti, e proclamarei o nome do SENHOR diante de ti; e terei misericórdia de quem eu tiver misericórdia, e me compadecerei de quem eu me compadecer
.” Ex 33:17 à 19.

Fica notório que as atitudes piedosas e benignas de Moisés eram bem vistas aos olhos de Deus! Diferentemente dos atos de muitos, que não eram vistos por Deus dá mesma forma:

Disse mais o SENHOR a Moisés: Tenho visto a este povo, e eis que é povo de dura cerviz.” Êx 32:9

Será que Deus agiria da mesma forma se Moisés tivesse as ações de Arão que atendeu aos pedidos do povo, fazendo assim um bezerro de fundição para adoração pagã dos hebreus?

Deus concede liberdade (livre-arbítrio) ao homem para optar por seu caminho! Ele apenas diz:

Disse-lhe Jesus: Eu sou o caminho, e a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai, senão por mim.” Jo 14:6

Entrai pela porta estreita; porque larga é a porta, e espaçoso o caminho que conduz à perdição, e muitos são os que entram por ela;
E porque estreita é a porta, e apertado o caminho que leva à vida, e poucos há que a encontrem
.” Mt 7:13-14.

Alguém pode resistir à graça de Deus?

Resposta: Faraó e várias gerações ao longo dos séculos.

Logicamente existem conseqüências por esta desobediência ao Senhor.

E qual será o castigo por esta resistência?

Resposta: A mesma punição aplicada a Faraó, e a todos que rejeitam ao chamado de Deus diariamente e se entregam aos seus próprios deleites pecaminosos: morte, maldições e condenação eterna.

Por isso diz Paulo:

“E, se a nossa injustiça for causa da justiça de Deus, que diremos? Porventura será Deus injusto, trazendo ira sobre nós?” Rm 3:5

Seria então a graça irresistível?

“E em nada vos espanteis dos que resistem, o que para eles, na verdade, é indício de perdição, mas para vós de salvação, e isto de Deus.” Fp 1:28

“E, como Janes e Jambres resistiram a Moisés, assim também estes resistem à verdade, sendo homens corruptos de entendimento e réprobos quanto à fé.” II Tim 3:8

“Instruindo com mansidão os que resistem, a ver se porventura Deus lhes dará arrependimento para conhecerem a verdade,
E tornarem a despertar, desprendendo-se dos laços do diabo, em que à vontade dele estão presos.” II Tim 2:25-26

* (Neste último texto está explícito que os resistentes a graça de Deus são entregues aos seus próprios desejos).

A regra infalível de interpretação da Escritura é a mesma Escritura; portanto, quando houver questão sobre o verdadeiro e pleno sentido de qualquer texto da Escritura (sentido que não é múltiplo, mas único), esse texto pode ser estudado e compreendido por outros textos que falem mais claramente.

Eduardo Neves.

“Porque a graça de Deus se há manifestado, trazendo salvação a todos os homens,” Tito 2:11

18 outubro 2008

Se alguém não ama ao Senhor Jesus Cristo, seja anátema. Maranata!


A expressão Maranata (מרנא תא) é composta de dois termos aramaicos que significam “O Senhor vem” ou “Senhor, vem logo!”. O apóstolo Paulo emprega essa palavra em sua primeira epístola aos Coríntios no capítulo 16 versículo 22; e no livro do Apocalipse, João faz a mesma menção à expressão utilizando-a como uma oração, desta feita no idioma grego, e traduzido por: “Vem, Senhor”.
Utilizada nos cultos para invocar a presença de Deus na Ceia, esta expressão anunciava o anseio do povo ao regresso do Senhor para estabelecer seu Reino na terra. O costume da palavra nos tempos da Igreja primitiva apontava uma forte esperança dos cristãos de que Jesus Cristo retornaria; essa certeza era avigorada pelo poder e sinais que Deus operava em seu meio, comprovando que Ele estava vivo e habitava no meio do Seu povo.

Vivemos a consumação do século, a conclusão de um período, e não apenas o passar de um tempo. A tribulação é comparada nas Escrituras "às dores de parto de uma mulher grávida" (1 Ts 5.3); falsos cristos, guerras, fome, terremotos, epidemias e todas estas coisas anunciam o início das dores. Na sua amplitude e dor, essa época será triste e indesejável.

Mas o que vem me chamando mais atenção é a falta de amor no ambiente familiar, revelando infelizmente, lugar de conflito e opressão, ou então vítimas indefesas das numerosas formas de violência que caracterizam a pecaminosa sociedade atual.

O repúdio e maus tratos as crianças são o triste prenúncio de uma paz familiar já gravemente afetada, e que não pode ser restituída, por certo, pelo deplorável recurso da separação dos cônjuges, e, igualmente, pela solução ao divórcio, verdadeira “peste" da sociedade contemporânea.

Abusadores pedófilos, geralmente começam a cometer atos de natureza sexual a crianças em tenra idade, frequentemente extra familiares; no caso de incesto entre pai e filhos, acredita-se que a maioria das agressões envolve pais que são abusadores oportunistas, ao invés de pedófilos.

Aí me lembro desta passagem: “E, por se multiplicar a iniqüidade, o amor de muitos esfriará.” Mt 24:12

Vejam:

*Pai mata filho para se vingar da ex-mulher*

Um homem de 25 anos matou o filho de quatro anos a pedradas na manhã de hoje em Gramado Xavier, no Vale do Rio Pardo, e feriu o outro, de um ano e dez meses, com uma facada na nuca. Segundo a Brigada Militar, ele estava separado da mãe das crianças há cerca de duas semanas e, no início da manhã de hoje, entrou da casa da família para se vingar.

Fonte: http://zerohora.clicrbs.com.br/zerohora/jsp/default.jsp?uf=1&local=1&section=Geral&newsID=a1757983.xml&000


*Mãe é presa por oferecer filha para atos sexuais*
Uma mulher de 33 anos foi detida no domingo passado em Sitges (litoral da Barcelona) por oferecer sua filha de dois anos para atos sexuais, informou a Guarda Civil nesta quarta-feira.
Fonte:
http://bbcnews.com.br/index.php?p=noticias&cat=172&nome=Brasil&id=112242


Notícias como essas invadem nossas casas diariamente, através da televisão, internet, jornais e outros veículos de comunicação.

Entendo que a família é essencial e indispensável comunidade educadora, é a condução privilegiada para a comunicação daqueles valores benévolos e éticos que ajudam o indivíduo a adquirir a própria identidade. Baseada no amor deve a família levar em si o futuro da sociedade; empreitada sua bem particular, é a de fornecer eficazmente este sentimento de ternura para todas as crianças, formando um amanhã de paz.


Da mesma forma, hoje a Igreja que vive em comunhão com o Senhor e experimenta as manifestações do seu poder com dons espirituais e sinais que confirmam a pregação da Palavra, aguardam com ansiedade a volta gloriosa do Senhor Jesus para arrebatar a Igreja, não se cansando de proclamar que “O Senhor Jesus voltará” e de rogar: “Maranata! Vem, Senhor Jesus”.

Devemos buscar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus, o renovo do Senhor nos capacitará a ver o que no momento não estamos vendo como Igreja.

Precisamos orar ao Senhor e dizer: “Maranata! Vem, Senhor Jesus”.

Sonho com uma igreja saudável, centrada em Cristo e na sua Palavra. Frutificando vida e multiplicando a imagem do Senhor Jesus. O cuidado de uns aos outros (verdadeiros irmãos), e não uma hipocrisia moralista e enganosa que tenho visto em alguns antros.

Estejamos confiantes que se aproxima o fim do mundo; que no último dia, Cristo descerá dos céus e levantará os mortos do túmulo para a recompensa ou condenação final.

Isabella de Oliveira Nardoni, de cinco anos de idade, é jogada do apartamento por seu pai localizado no sexto andar; o menino João Hélio Fernandes Vieites, de apenas 6 anos, morreu após ser arrastado por mais de sete quilômetros ... a voz do sangue destas e de milhões de crianças clamam ao Senhor Deus desde a terra!

“Maranata! Vem, Senhor Jesus”.

Eduardo Neves / Indignado com a covardia contra as crianças e querendo desesperadamente a volta de Jesus Cristo!!!