18 agosto 2008

Razão da esperança

Por toda parte, por todos os lados, ouvimos mensagens oferecendo a fórmula do sucesso. Consumo, viagens, prazeres, carreira e muitas outras coisas são oferecidas como passaportes para um projeto de vida agradável e boa. Todos somos incentivados a buscar o sucesso custe o que custar. Se no passado uma roupa valia alguma coisa quando colocada em meu corpo, hoje, se você não estiver com uma roupa de determinada marca, vai sentir-se nu, ainda que vestido. Se o seu carro não for aquele mostrado na glamourosa propaganda de TV, e mesmo se sua TV não for aquele modelo de plasma de 70 polegadas, sinto muito ao dizer isso, mas você não está sendo bem sucedido na vida...

A troca do valor do ser pelo valor de possuir, chamada ontologia, é uma das características desses nossos tempos. O ter é que empresta o valor ao ser, pois o ser já não vale muita coisa – na verdade, o sistema nos coloca como pouco mais que alguns números registrados em nossos documentos. Na crise de identidade que assola a sociedade hoje, procuramos nos apegar em algo concreto, de modo a ter garantia de que de fato existimos. Queremos, simplesmente, ser alguém.

Viktor Frank destacou que a vida não deve ser vivida sob a linha do sucesso-fracasso, mas na busca de um sentido, de uma razão. Ele foi confinado em campos de concentração na Segunda Guerra Mundial e sobreviveu a toda sorte de carências e maus-tratos. Ali, distante de tudo que costuma ser associado à felicidade – família, bens, liberdade –, buscava em Deus a sua razão de viver. Ele não procurava o imperativo da felicidade, mas simplesmente agarrava-se à esperança que lhe vinha do Alto.

Mesmo enfrentando problemas, sofrimentos e dramas, se colocarmos a razão de nossa esperança no Evangelho, poderemos experimentar na prática o que Jesus nos deixou como legado: “Deixo-vos a paz; a minha paz vos dou. Não a dou como o mundo a dá”. Paz, na Bíblia, não é sinônimo de ausência de perturbação, mas serenidade de espírito – ou, noutras palavras, o sentido de vida.

Paulo ainda nos ensinou que, tendo sustento e com que nos cobrir – ou seja, alimento e abrigo –, deveríamos ficar felizes. Esse é o mínimo que devemos esperar de Deus; o restante que temos é mais do que suficiente, é mais do que precisamos. Conte quantos pares de sapatos ou roupas você tem e verá que, provavelmente, possui mais coisas do que precisa. Aí, é só agradecer a Deus, em vez de ficar pedindo cada vez mais.

Lourenço Stelio Regaé teologo, educador e escritor.

10 agosto 2008

Armadilhas hermenêuticas

"Há uma necessidade urgente e gritante de conhecimento mais aprofundado sobre a interpretação da Bíblia!"

A maioria dos mais informados vai concordar que atravessamos um cenário complicado no evangelicalismo brasileiro. Todos sabem que a Igreja cresceu demais nas últimas décadas, mas ela ainda busca amadurecimento. Movimentos mais contextualizados e grupos voltados para a evangelização do país coloriram o cenário nos últimos anos. Todavia, tanta euforia e eferverscência também é sinal de atenção. O fato é que a Igreja nacional precisa achar um ponto de equilíbrio entre quantidade e qualidade. E sem o estudo sério e fundamentado da Palavra de Deus, teremos problemas insolúveis a curto prazo em nossa realidade protestante tupiniquim. Infelizmente, ainda há grupos em nosso contexto de fé que desprezam o preparo teológico; outros são tão estranhos que vivem na fronteira entre as categorias de seita e denominação.

Ninguém pode negar que essa tarefa de consolidação da Igreja brasileira passa necessariamente pela referência máxima da cristandade e dos evangélicos: as Escrituras Sagradas. A compreensão da Bíblia é absolutamente fundamental para que se tenha uma Igreja séria e cristãos espiritualmente saudáveis. Por incrível que pareça, o sinal de que nem tudo vai bem neste cristianismo “tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza” é que há muitos textos lidos e enfatizados em nossa tradição evangélica que são mal compreendidos, gerando inclusive crises e problemas pessoais em muitos cristãos sérios e sinceros.

Muita gente tem sofrido com seus familiares ao ler o conhecidíssimo texto de Atos 16.31: “Crê no Senhor Jesus, e tu e tua casa sereis salvos” (Versão Almeida 21). O problema desse texto é que muitas pessoas pensam que estamos diante de uma promessa divina de que todos os nossos parentes próximos serão salvos mediante a nossa fé. A verdade é que tal trecho não ensina isso! Em primeiro lugar, é importante destacar que, como texto narrativo histórico, o versículo não pretende ser normativo – ou seja, o relato de alguma coisa que acontece não é necessariamente norma para toda a Igreja. Logo, aqui vemos uma promessa que foi dada ao carcereiro de Filipos, e não a todos! Foi dito que ele e “os de sua casa” (NVI) seriam salvos. No caso específico, isso talvez tivesse incluído servos ou empregados, já que a “casa” de alguém nos tempos bíblicos incluía gente que não era da família de sangue do proprietário.

A verdade é que ninguém pode assegurar a conversão de seus parentes com base neste texto. Se esse fosse o caso, nenhum crente veria um parente próximo morrer sem converter-se a Jesus – mas sabemos que isso não se verifica. Além disso, o próprio Senhor deixou claro que muitos cristãos até perderiam suas famílias por causa do Evangelho: “E todo o que tiver deixado casa, ou irmãos, ou irmãs, ou pai, ou mãe, ou mulher, ou filhos, ou campos, por minha causa, receberá cem vezes mais e herdará a vida eterna.” (Mt 19.29 – A21). Se aos crentes fosse prometida a conversão de todos os parentes próximos, o texto de Mateus 10.35, 36 também não faria sentido.

Quase que na mesma linha de pensamento, muitos evangélicos, principalmente pais e mães, ficam literalmente desesperados diante de Provérbios 22.6: “Instrui ao menino no caminho em que deve andar, e até quando envelhecer não se desviará dele” (Almeida Revista e Corrigida). O que geralmente se entende desse versículo é que Deus promete que uma criança levada ao conhecimento do Evangelho desde pequena nunca se desviará da fé. E como ficam os pais de filhos que fizeram justamente o contrário, embora educados segundo a Palavra, apostataram da fé? Em primeiro lugar, é importante lembrar que Provérbios não é um livro de promessas – suas afirmações são “máximas”, ou seja, fatos constatáveis de modo geral na vida. O que o texto diz é que aquilo que uma criança aprende desde pequena não é esquecido, mas a tônica não é exclusivamente religiosa. É de criança, por exemplo, que se aprende a andar de bicicleta, falar outra língua, tocar um instrumento ou mesmo decorar versículos.

A tradução tradicional “deve andar” interpreta o sufixo pronominal genitivo do hebraico indo muito além do literal. Todavia, há outras alternativas de interpretação. “Instruir a criança no caminho” pode significar instruí-la segundo os objetivos que os pais têm para ela” (NVI), instruí-la no caminho devido (ARC, A21) ou mesmo “instruí-la conforme os dons que ela tem”. As interpretações são legítimas e o texto está aberto a mais de um enfoque distinto. No entanto, é bastante seguro afirmar não há promessa ou segurança alguma de salvação para a criança que vai à Escola Dominical, tem pais cristãos e ouve a Bíblia desde pequena, simplesmente porque não é isso o que se trata ali.

Outro texto geralmente mal compreendido é o de Filipenses 4.13 – “Tudo posso naquele que me fortalece”. Certa vez, trafegando pelas áreas nobres da rica cidade de São Paulo, vi um belo carro importado com um adesivo que ostentava orgulhosamente tal verso. Geralmente, quando se lê este texto isoladamente, a maioria das pessoas imagina que se trata de uma promessa de fé: a de que, por meio do poder de Cristo, podemos alcançar tudo que quisermos! Assim, posso adquirir bens caros, derrotar inimigos, alcançar posições de destaque e tudo o mais. Novamente, o texto bíblico não está dizendo isso. Aqui, é preciso entender o contexto. O apóstolo Paulo está escrevendo aos filipenses na ocasião de sua prisão, muito provavelmente em Roma. Portanto, está enfatizando que, por meio de Cristo, podemos suportar toda e qualquer situação adversa. Basta ler o que o apóstolo diz um pouco antes, nos versículos 11 e 12: “Não estou dizendo isso porque esteja necessitado, pois aprendi a adaptar-me a toda e qualquer circunstância. Sei o que é passar necessidade e sei o que é ter fartura. Aprendi o segredo de viver contente em toda e qualquer situação – seja bem alimentado, seja com fome, tendo muito ou passando necessidade” (NVI). Por incrível que possa parecer, o texto bíblico significa exatamente o oposto do que muita gente tem sugerido sem analisá-lo adequadamente.

Já encontrei até dois cristãos evangélicos discutindo se devemos ou não mentir em certas situações. Independentemente da discussão sobre a possível legitimidade de uma inverdade ou omissão da verdade em certas situações – como o caso de mentir ou omitir algo para salvar uma vida –, o que estamos discutindo é o uso de textos bíblicos de maneira indevida. O argumento dos debatentes era o de que Abraão, servo do Senhor e chamado na Bíblia de “amigo de Deus”, mentiu em uma situação de necessidade, registrada em Gênesis 12.18-20. A questão aqui não é tão difícil – novamente, cabe frisar que o simples relato de um texto histórico não o define como norma. Muitas passagens das Escrituras nos contam erros e crimes de seus personagens exatamente para enaltecer o poder de Deus na vida de frágeis seres humanos. Muita gente, porém, tenta ver méritos e qualidades especiais em cada detalhe de vida dos heróis bíblicos sem contrastar o comportamento dos mesmos com as normas divinas. Assim, com base nos fatos de que Moisés ficou irado, Jacó enganou Labão, Raabe mentiu em Jericó ou que Davi foi polígamo, há quem tente justificar seus pecados, afirmando que homens e mulheres de Deus do passado fizeram tais coisas e não foram punidos por isso. O equívoco é muito claro.

Tais situações apenas nos mostram a necessidade urgente e gritante de um conhecimento mais aprofundado da hermenêutica, a arte de interpretação da Bíblia. Muitas comunidades cristãs são hoje reféns de doenças hermenêuticas prejudiciais e destruidoras para a fé de seus integrantes. Há grupos perdendo o equilíbrio e caindo no liberalismo teológico da negação do sobrenatural, ou numa filosofia específica. Há tantas distorções – o legalismo, o misticismo desenfreado, o tradicionalismo irrefletido – que somente o estudo da Bíblia no seu próprio contexto, entendendo elementos históricos, literários e teológicos, nos levará a entender ao máximo a intenção original do autor. É preciso ainda destacar os princípios presentes no texto para então comparar o que descobrimos com uma análise teológica mais profunda, a partir de outras passagens que falam dos mesmos princípios. Finalmente, devemos fazer a aplicação do princípio descoberto e teologicamente analisado na realidade do cotidiano.

A verdade é que a seriedade e o valor do texto sagrado para sempre ecoará através da história, especialmente quando ouvimos como o próprio Jesus considerava as Escrituras: “Pois em verdade vos digo: antes que o céu e a terra passem, de modo nenhum passará uma só letra ou um só traço da Lei, até que tudo se cumpra” (Mateus 5.18 – A21).


Luiz SayãoTeólogo,

hebraísta, escritor e tradutor da Bíblia. É também professor da Faculdade Batista de São Paulo, do Seminário Servo de Cristo e professor visitante do Gordon-Conwell Seminary.

24 julho 2008

AS DUAS FRAQUEZAS DA IGREJA


Uma das coisas que particularmente está viva em meu coração e está diante de Deus, é que Ele não permita que eu tenha uma visão pessimista sobre a Sua igreja, entretanto, não há como negar que nós estamos muito aquém daquilo que o Noivo espera de nós. E ao olhar para a Escritura, percebo essa verdade a respeito de nós mesmos. Há algum tempo atrás estive meditando sobre Is 1, quando o profeta revela o terrível estado espiritual da nação de Israel. O pecado era tamanho que afetou o corpo inteiro. As feridas não estavam espremidas e nem amolecidas com óleo, além disso, o coração estava fraco. As feridas vivas indicavam a morte espiritual da nação. Minha primeira reação foi dissociar esse texto da igreja do novo testamento, mas depois, descobri que outros pregadores de renome (eu sou apenas um lavador de pés) também estavam identificando a igreja com o antigo Israel.

O câncer do antigo Israel é o mesmo da igreja neotestamentária: PECADO NÃO TRATADO. Sei até que vou correr o risco de ser mal interpretado, mas é melhor correr o risco do que ficar sem fazer nada.

Nestas poucas linhas, com a ajuda do Espírito Santo, ofereço à noiva do Cordeiro, da qual faço parte, uma reflexão sobre seu próprio estado espiritual. Se continua em seu estado de Glória original (ver Ez 16) ou se caiu na dormência e apostasia espiritual.

1) A FRAQUEZA GERADA PELA FALTA DE SANTIDADE PESSOAL
Em minha pouca experiência de vida cristã aprendi uma lição muito importante: PECADO TEM QUE SER TRATADO COMO PECADO, e, segundo a minha bíblia, PECADO MATA.

O tema ARREPENDIMENTO parece estar suspenso de muitos púlpitos (não me lembro quando foi à última vez que ouvi!). Não falo de arrependimento de ATITUDES apenas, falo de arrependimento de NATUREZA, Deus nos está chamando para um arrependimento da natureza que nutre o pecado. No grego, a palavra metanóia encontrada em textos como II Co 7:9, 10 denota esse tipo de arrependimento. A natureza da oliveira só flui se a natureza do zambujeiro bravo morrer (Rm 11: 17, 24). Para muitos, o tema não é muito atrativo, pois demanda uma mudança de vida radical.

O pecado atinge todas as camadas da sociedade. Desde mendigos a presidentes, da plebe à realeza, de leigos a clérigos, e, de ovelhas a pastores. Enquanto os ministros se calam, a beleza e a glória da Noiva vão sendo consumidas. A congregação dos santos passa a ser freqüentada por demônios, pois o pecado é o salvo-conduto do exército inimigo.

Por causa da presença do pecado, a presença de Deus fica sufocada; extinta, o entendimento fica entenebrecido, e os próprios crentes se tornam incapazes de discernir o mundo espiritual. Não compreendem, por exemplo, que existe um ministério angelical ordenado por Deus com o propósito de ministrar aos santos, e por isso, não usufruem tal ministério, por outro lado, se esquecem que o diabo, nosso adversário, anda bramando desesperadamente como um leão, buscando a quem possa tragar, e por falta dessa percepção, não há vigilância espiritual; a porta encontra-se aberta para a entrada de Satanás.

O pecado tira o vigor espiritual, e a ausência de vigor é revelada pelo desinteresse pela Palavra e pela oração, ou ainda, até se lê, até se ora, mas passando a ser apenas um ritual a ser seguido; uma exigência da vida cristã, e não um encontro com o Pai, e a concupiscência, então, assume o lugar da fome e da sede pela presença de Deus. O salmo 42:1, 2 expressa a fome e a sede do salmista tomando a corsa e as correntes das águas como exemplo. Diz-se que uma corsa pode sentir o cheiro das águas a dois quilômetros de distância. Ao sentir o cheiro, corre literalmente desesperada, fica momentaneamente louca, como que descontrolada até chegar às fontes. É essa a situação dos filhos de Coré nesse salmo e também a de Davi em Sl 63: 1: “Ó Deus, tu o meu Deus. De madrugada te buscarei; a minha alma tem sede de ti, a minha carne te deseja muito em uma terra seca e cansada, onde não há água”. Davi estava no deserto de Judá fugindo de Absalão, ao olhar o deserto expressa seu desespero pela presença de Deus como o deserto desespera por água. Se não há fome e sede por Ele, se a noiva não aspira estar com o Noivo e não faz a segunda voz no coro do Espírito (Ap 22:17 parte a), há de fato um grande problema. Esse problema é a presença do pecado e a ausência do arrependimento e da presença de Deus.

Até quando os ministros vão se calar? Até quando iremos de culto em culto em vez de irmos de glória em glória? Até quando esperaremos para sermos conduzidos às águas profundas do arrependimento? Até quando? Até quando? Até quando esperarei? Ó Deus, conduza-me aos teus lugares altos pelo vale da humilhação!

O apóstolo Paulo ensinou que devemos mortificar os nossos membros que estão sobre a terra (Cl 3:5). Mortificar significa “tirar o vigor de”, e a única maneira de fazer isso é indo para a cruz (Lc 9:23). Infelizmente a igreja hodierna tem se tornado uma réplica do antigo Israel, e muitos ministros estão sob o juízo de Deus pela perspectiva profética de Ez 34. Você já leu?

2) A FRAQUEZA GERADA PELA FALTA DE EDIFICAÇÃO PESSOAL


A mesma bíblia que diz que Ele nos fortalece (Fl 4:13), diz que devemos nos fortalecer nEle (Ef 6:10). A alegoria da armadura de Deus encontrada em Ef 6:13-18 encerra a verdade de que o crente tem uma participação insubstituível no processo de fortalecimento de si mesmo, entretanto, o elemento mais importante dessa armadura, acompanhado da Espada do Espírito que é a Palavra de Deus, é pouco compreendido, e conseqüentemente, pouco usado. Refiro-me ao elemento citado no versículo 18: “Orando em todo o tempo com toda oração e súplica no espírito...”. A pergunta é: o que é orar no espírito?

Nota: Em muitas bíblias o termo “espírito” está escrito com letra maiúscula, porém, no texto grego não é assim, pode se referir tanto ao espírito humano como ao Espírito de Deus.

A resposta é encontrada em I Co 14:2: “Porque o que fala em língua desconhecida não fala a homens, senão a Deus, porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios”. Veja que o espírito que ora não é o de Deus, é o meu: “porque se eu orar em língua, o meu espírito ora...” (vs. 14). O Espírito Santo não fala/ora em línguas, mas apenas concede que falemos (At 2:4). Todo aquele que foi batizado no Espírito Santo por Jesus e falou em línguas, tem o dom de línguas. Usar um dom é, muitas vezes, como usar um dos nossos cinco sentidos. Por exemplo, se você estiver na cozinha lanchando e a televisão estiver ligada, você simplesmente ouve a televisão, mas se quiser prestar atenção ao que está sendo falado, você aciona sua audição e passa não só a ouvir, mas a receber a informação transmitida. Alguns dons são assim, você aciona e usa, em seu benefício ou em benefício de outros (I Co 14:12). No caso das línguas você usa em seu próprio favor, pois, “o que fala em língua desconhecida edifica-se a si mesmo” (vs. 4). A palavra grega para edificar é oikodomei, e significa, edificar, construir, reconstruir, reedificar, restaurar, fortalecer, beneficiar. O tempo do verbo é o presente do indicativo ativo que enfatiza a ação contínua que é habitual, portanto, o que ora em língua estranha, acionando seu sentido espiritual por simplesmente abrir a boca, uma vez que as línguas já estão dentro de nós pela presença e dádiva de Deus, o seu Espírito, a si mesmo se fortalece; a si mesmo se prepara. Não é suficiente falar em línguas como não é suficiente cantar, tem que falar com Deus!

A falta de compreensão desta verdade tem privado muitos crentes de uma vida espiritual mais abundante. Quando falamos em línguas algo acontece dentro de nós. Não ficamos tão vulneráveis, nos robustecemos espiritualmente e fluímos no Espírito que está dentro de nós. Eu sempre achei que para falar em línguas tinha que sentir alguma coisa, mas, graças a Deus, descobri que isso não é verdade. Deus me deu, portanto, é só usar e me fortalecer nEle.

No início algumas dúvidas podem surgir, mas não pare, você tem a promessa de um Deus que promete te conduzir pelo Seu Espírito em toda a verdade (Jo 16:13). Confie nEle e comece a subir o Rio. Paulo também orienta que aquele que fala em língua estranha deve orar para que também a possa interpretar, a fim de que ore com o seu espírito e também com o seu entendimento (I Co 14:13-17).

CONCLUSÃO

Arrependimento não é uma oração feita uma só vez quando recebemos a Cristo na famosa “oração do pecador”, em que o pregador vai nos conduzindo e nós repetindo. Arrependimento é uma maneira de viver, é uma decisão do coração para mudança. A obra do arrependimento não estará completa até que o fruto da justiça apareça, por outro lado, a santidade ministrada a nós pelo Senhor via arrependimento, precisa ser fortalecida. Quando disse que a oração no espírito é o elemento mais importante unido à Palavra, é porque todos os outros elementos são o resultado destes dois. Não há Escudo, nem Calçado, nem Verdade, nem Capacete sem Espada e sem oração. Enquanto você lê a Palavra e ora em línguas, vai se fortalecendo no Senhor e na força do Seu poder; vai vestindo a Sua Armadura, e quando vier o dia mal, você vai vencer tudo e ficar firme como os montes de Sião, que não se abalam, mas permanecem para sempre.

Arthur Alexandre Costa Pereira - Bacharel em Teologia/ O Arthur foi meu prof. de Introdução Bíblica no seminário Ceforte em Petrópolis.Excelente caráter!!!

14 julho 2008

Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério...

Estou perplexo com o que tenho visto na internet em relação ao Cristianismo. Tem aparecido em nosso meio vários tipos de "movimentos", e o que me causa maior espanto é o hiper-calvinismo.
Estava lendo uns artigos esdrúxulos do site Monergismo e não aguentei, então aí vai:

A matéria está aqui: http://www.monergismo.com/textos/pentecostalismo/dom-linguas_samuel-davidson.pdf

Refutação de "Dom de Línguas" /Samuel R. Davidson

As Línguas nos Evangelho

Primeiramente concordo com o autor; Cristo jamais trouxe confusão para os homens, mas os homens é que fazem enleio a interpretação das Escrituras.

É simplesmente ridículo afirmar que a promessa das línguas teria sido feita em relação à pregação do Evangelho, o texto de Mt 28 não fala sobre sinais, portanto não servirá para análise nesta tese.
No Evangelho segundo Marcos no capítulo 16 versos 17-18 é relatado:

"E estes sinais seguirão aos que crerem: Em meu nome expulsarão os demônios; falarão novas línguas;
Pegarão nas serpentes; e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará dano algum; e porão as mãos sobre os enfermos, e os curarão."

Marcos fala acerca de SINAIS, não fazendo em hora nenhuma alusão a ensino ou pregação da Palavra nestes versículos; falar um outro idioma não é um sinal, mas como ele (Samuel R. Davidson) mesmo diz: "um grande trabalho aos homens".


Jesus Cristo se referia a fatos sobrenaturais, ou por acaso o Sr. Samuel crê que beber um veneno e não morrer é normal; ou será que Jesus achava seus discípulos tão ignorantes ao ponto de chamar de sinal o fato deles aprenderem outros idiomas (rs)!

As línguas em questão serviram como sinais (prodígios)!

Será que falar um outro idioma serve como sinal aos cristãos? Se for assim então o Jô Soares (fala 5 idiomas) faz sinais (coisa sobrenatural;prodígios;milagre) tremendos em seu programa!

Em relação ao último versículo do cap. 16 de Marcos é meramente a ratificação das profecias de Cristo que estavam se cumprindo!

Faço uma pergunta: Os seguidores crentes em Cristo extinguiram-se?

Se sua resposta for não (e espero que seja!), nesse caso afirmo: Então os sinais existem!


As Línguas no livro de Atos

Neste tópico o autor mostra ser um total leviano. Como dizer que não é explicado o que aconteceu em Atos 8:14-19. Será que ele utilizou a Bíblia Sagrada para seu estudo ou sua “Bíblia” foi escrita por algum monge (rs)?

Então vamos lá, Atos 8:14-19:

14 Os apóstolos, pois, que estavam em Jerusalém, ouvindo que Samaria recebera a palavra de Deus, enviaram para lá Pedro e João.
15 Os quais, tendo descido, oraram por eles para que recebessem o Espírito Santo
16 (Porque sobre nenhum deles tinha ainda descido; mas somente eram batizados em nome do Senhor Jesus).
17 Então lhes impuseram as mãos, e receberam o Espírito Santo.
18 E Simão, vendo que pela imposição das mãos dos apóstolos era dado o Espírito Santo, lhes ofereceu dinheiro,
19 Dizendo: Dai-me também a mim esse poder, para que aquele sobre quem eu puser as mãos receba o Espírito Santo.

Pergunta: Como Simão tinha tanta certeza (a ponto de oferecer dinheiro) que realmente eles receberam o Espírito Santo?

Resposta: Através dos sinais e prodígios (Mc 16) que presenciava [e, vendo os sinais e as grandes maravilhas que se faziam, estava atônito. (vers.13b)]

Há! To lembrando de algo: Será mesmo que os sinais foram cumpridos antes de Marcos ter escrito seu Evangelho? Hein sr. Samuel?

No demais: as perguntas feitas são desfeadas e incompreensíveis no tocante a hermenêutica do texto analisado!

Joel não fala de línguas, mas fala de sinais! Assim como Jesus fala de novas línguas, como sinais! Então entendemos que tanto no Antigo Testamento, quanto no Novo fala-se sobre sinais e prodígios durante todo período anterior à vinda de Jesus Cristo para julgar vivos e mortos!

Joel fala que após o derramamento do Espírito ocorreriam: profecias, revelações (sonhos e visões), aflições aos homens e catástrofes naturais (céu/mar).

Jesus fala de grandes terremotos, e fomes e pestilências; haverá também coisas espantosas, e grandes sinais do céu.

O que deve ser entendido é que não podemos interpretar a Bíblia somente de forma literal, porque assim é que surgem as heresias e seitas! O que analisamos são os prodígios em si; como se pode afirmar que as línguas não apareciam mais no contexto bíblico de Atos? Porque então os judeus iriam dizer que todos aqueles estariam cheios de mosto? A linguagem daqueles homens não podia ser compreendida pelos incrédulos, assim como hoje (rs).


Porque se aparece poucas vezes relatado em Atos dos Apóstolos a referência dos sinais de novas línguas, podemos afirmar que eram fatos raros? Ou até desnecessários a Igreja?

Muitos outros atos aconteciam em Jerusalém e são pouco relatados no livro, nem por isso podemos afirmar que são acontecimentos dispensáveis a nossa apreciação!

Você conhece Andrônico e Júnias, parentes de Paulo? Pois é, não faziam parte dos treze, mas eram notáveis entre os apóstolos (Rm 16:7).

As Línguas nas cartas dos Apóstolos

Para começar este tópico vou responder a patética pergunta do autor, fazendo uma outra (esta sóbria):

Quer dizer que por aparecer somente em um livro do NT ou por ter poucas vezes sido mencionada (segundo você) pelos apóstolos em suas epístolas, faz um ensino não ser planejado por Deus?
Se sua resposta for sim (espero que não!): Então você é um incauto (indouto)!

De outra maneira, se tu bendisseres com o espírito, como dirá o que ocupa o lugar de indouto, o Amém, sobre a tua ação de graças, visto que não sabe o que dizes?
I Co 14.16


Em referência a I Co 13 "as línguas cessarão", veja:

O amor nunca falha; mas havendo profecias, serão aniquiladas; havendo línguas, cessarão; havendo ciência, desaparecerá; I Co 13.8

Paulo em momento nenhum ensina que o dom de línguas se cessaria bem antes da vinda de Cristo! O Apóstolo explica que o AMOR é perfeito, e que somente quando o que é perfeito (JESUS É AMOR) vier toda profecia, dons e ciência serão extintos!!!

Sobre seus conceitos de novas línguas, fazendo menção a outros idiomas já abordei no começo desta refutatione (rs).

O fato da pessoa interpretar o dom de línguas, não quer dizer que seja um idioma natural!

Veja: “Porque o que fala em língua desconhecida não fala aos homens, senão a Deus; porque ninguém o entende, e em espírito fala mistérios.” I Co 14.2

Se ninguém o entende, obviamente não é uma linguagem entendida por homens! Mas como a própria Palavra de Deus diz: “Por isso, o que fala em língua desconhecida, ore para que a possa interpretar” I Co 14.13

Certamente interpretar esta linguagem não requer intelectualidade humana, mas uma dádiva divina.
Somente é alcançada por meio da fé, sendo assim o formalismo de alguns teólogos calvinistas jamais entenderá este mistério!

“A minha palavra, e a minha pregação, não consistiram em palavras persuasivas de sabedoria humana, mas em demonstração de Espírito e de poder;
Para que a vossa fé não se apoiasse em sabedoria dos homens, mas no poder de Deus.
Todavia falamos sabedoria entre os perfeitos; não, porém, a sabedoria deste mundo, nem dos príncipes deste mundo, que se aniquilam;
Mas falamos a sabedoria de Deus, oculta em mistério, a qual Deus ordenou antes dos séculos para nossa glória;” I Co 2.4,5,6,7.

Como você viu a ciência será aniquilada, lembra? É meu querido, mistério...(rs)

Adorei você ter descoberto (em letras garrafais) que 5 palavras entendidas valem mais que 10 mil não entendidas, creio que sua descoberta é maior que a da pólvora.

Será que o fato de uma pessoa falar em outros idiomas naturais serviria para convencer os incrédulos? Que loucura!

Quem disse ao sr. Samuel que as pessoas que tem o dom de línguas perdem o controle próprio? Falta informação ou é preconceito?

Quem disse ao sr. Samuel que este dom está aparecendo em incrédulos? Imagino que até os hereges que dizem falar em línguas crêem em algo (mesmo que seja em objetos inanimados)!

Meu Deus, quanta deturpação! Apocalipse 5.9 fala sobre a visão do Apóstolo João dos cânticos e Louvores dos seres celestiais ao Senhor devido ao sacrifício vicário de Cristo no Calvário!

CONCLUSÃO

Percebe-se preconceito religioso, ignorância no tema abordado e o autor ser desinformado na prática dos DONS espirituais por parte da Igreja Contemporânea.

Ele considera os Pentecostais hereges simplesmente por falarem em línguas estranhas. Mas será que são mesmos os pentecostais hereges?

Quem é que fica pregando por aí que Deus levou Seu Filho a cruz do Calvário somente para alguns?

Quem é que fica ensinando por aí que Deus ama somente uma determinada casta? Fazendo acepção de pessoas?


Entendam o princípio da Eleição: Para haver uma eleição devem-se existir CANDIDATOS! E para o Senhor TODO aquele que invocar (CANDIDATAR-SE) seu nome será SALVO!!!

Sei que em alguns momentos, pareci satírico no trato desse assunto, mas não é nada disso. São apenas recursos que eu uso para descontrair e aliviar um pouco a dor que o coração sente, ao ver tanta coisa que se estabelece aos cristãos, que foram libertados para o alvedrio, submetendo-o de novo a jugo de escravidão [Gálatas 5].

Eduardo Neves (Pentecostal pela Graça de Deus e falando em línguas! Oh Glória!).

03 julho 2008

Porque a ira destrói o louco; e o zelo mata o tolo.


Lembro-me daquela tarde de Dezembro de 2003 como se fosse hoje, meu coração ardia, meus olhos marejavam e eu nem sabia o porquê, mas ansiava em entregar minha vida a Jesus Cristo. Logo eu que vinha de uma família tradicionalmente Católica (devido à origem portuguesa) e que há alguns anos tinha tido uma experiência com as religiões afro-brasileiras (umbanda e candomblé); como iria explicar as pessoas que se relacionavam comigo aquela decisão, logo eu que era considerado a "ovelha negra" da família (tinha uma vida airada).

Mas a verdade era que aquele sentimento de culpa interior vinha sobre mim de uma forma inconfundível, como se eu ouvisse uma voz que dizia: “Lavarei as suas vestes e as branquearei no sangue do Cordeiro”. Não podia me aproximar de uma Igreja Cristã, que sentia um desejo de estar ali junto de todas aquelas pessoas e me tornar um verdadeiro discípulo de Cristo.

Ainda hoje, quando fecho os olhos e penso naqueles dias, sinto muita alegria de saber a misericórdia que estava reservada para minha vida. Meu amor pela Bíblia era, sem dúvida, a característica mais marcante. Em pouco mais de 5 meses já tinha lido todo Novo Testamento e minhas experiências espirituais me faziam crescer a cada momento. Queria me tornar um evangelista, visitar hospitais, presídios, orfanatos, asilos; enfim ser um servo habilitado por seu Senhor.

Comecei minha caminhada no Evangelho de Cristo com muito empenho, duas horas antes de o culto iniciar já estava devidamente posto em ordem, com a Bíblia Sagrada em minhas mãos não via a hora de começar os louvores e ouvir a mensagem de Deus para meu coração. Não conseguia mais enxergar aquele velho homem, ele tinha ficado no esquecimento; casei-me e Deus me deu um lindo filho.

Podia perceber a mudança radical que estava acontecendo, e é neste momento que o Espírito Santo permite que tal pessoa reconheça o que é viver no reino de Deus. Procurava ajudar ao máximo meus irmãos na fé, tinha um zelo enorme pela igreja e sua obra. Foi justamente por este zelo, que comecei a presenciar que as coisas não eram como eu cria que deveriam ser.

Embora exista relação entre a bondade e a benignidade, a primeira faz referência à maneira como devemos viver dando testemunho da existência de Deus. Freqüentava uma denominação em que a maioria dos membros eram bem remotos (frios), pareciam desafortunados e até um pouco altivos. Mas fingia (para mim mesmo) não enxergar nenhum destes problemas, entrava com um único intento: adorar e agradecer meu Deus.

Foi até o dia em que tentei me aproximar do pastor, para tentar conhece-lo e buscar esclarecimentos quanto as Escrituras em relação a meu batismo. Tinha a visão de um exemplo na maneira de falar, na maneira de agir, no amor, na fé e na pureza; mais infelizmente na primeira vez que me aproximei deste homem ele se portou de forma bem hostil.

Fiquei estarrecido, não conseguia acreditar naquilo. Parecia que o mundo tinha me pregado uma terrível surpresa, um homem que teria a obrigação de no mínimo me prestar uma palavra de amor, me traria muita tristeza.

Porque faria aquele homem tal coisa? Falta de transparência, apego ao poder ou egocentrismo?
Atender aos mandamentos de Deus, cooperar uns com os outros, ter amor pelas pessoas, incentivar uns aos outros na fé representa caminhar em direção à plenitude de Cristo. Unidade na diversidade (e eu acrescentaria na adversidade) é o segredo do bom testemunho do pastor ao mundo inteiro.

Foi então que comecei a entender porque conhecia tantas pessoas que saíam daquele lugar magoadas. Recordo de uma senhora que tinha uma loja (tipo $1,99), e queria doar arranjos de flores para a igreja e este pastor passava sempre a frente de sua loja, e de forma arrogante nunca entrou em seu estabelecimento, nem que fosse para agradecer (já que ele parecia indiferente com o presente da irmã) aquela senhora por seu gesto; lembro de um jovem irmão que até hoje carrega uma tristeza em seu coração, pois devido a um deslize em sua caminhada, foi “convidado a procurar outra igreja”, ou não diz as Escrituras: “Porque sete vezes cairá o justo, e se levantará; mas os ímpios tropeçarão no mal” (Provérbios 24.16) ou “MEUS filhinhos, estas coisas vos escrevo, para que não pequeis; e, se alguém pecar, temos um Advogado para com o Pai, Jesus Cristo, o justo.” (I João 2.1)

Entendi que aquele discurso era hipócrita, e que ele fazia da igreja seu quintal particular. Seus filhos devido sua truculência, abandonaram a fé e se apostataram; com dinheiro de dízimos e ofertas tem coragem de pagar faculdade de cinema para um de seus filhos.

Será que um ímpio cineasta trará algo de bom para o reino de Deus?

Não sei se este senhor acredita que uma vez salvo, salvo para sempre; mas a verdade é que ele assim utiliza dinheiro santo (separado para obra), para deleites de sua família ímpia.

Dizem até que ele agora é bispo, mas a Palavra não diz: “Que governe bem a sua própria casa, tendo seus filhos em sujeição, com toda a modéstia”.
“(Porque, se alguém não sabe governar a sua própria casa, terá cuidado da igreja de Deus?);” I Timóteo 3.4,5

A união é um elemento muito importante para a vida em sociedade, principalmente na sociedade de cristãos, de pessoas que devem ter em mente mostrar a face do Ourives para todos os que se encontram em um crisol a fim de que contemplem o Seu misericordioso amor, concedido sem medida a todos os pecadores, os quais pretende transformar em ouro puro refinado.

Olhar para a história sempre é um caminho muito rico e seguro para extrair ilustrações que funcionam como alerta para todos nós. Durante o reinado de Luís XIV, o governo francês tomou uma medida inusitada, ao disciplinar às saudações feitas com o chapéu. Dependendo do grau de importância de quem era alvo da saudação, o cumprimento seria feito com um toque na aba, erguendo o chapéu um pouco, sem retirá-lo. Nos casos de figuras proeminentes, o chapéu seria tirado inteiramente, fazendo-o quase roçar o chão.

Da mesma forma que o rei Luís XIV preocupou-se demasiadamente com questões de pouca importância, boa parte da liderança evangélica se ocupa atualmente com a parte cosmética do evangelho. Numa espécie de farisaísmo pós-moderno, mantém ministérios irretocavelmente caiados, enquanto a ética apodrece nos corações cheios de ambição. Sem discernimento, usam os chapéus do mundo, não se dando conta de que eles funcionam como uma barreira na comunhão com o Pai. Minha oração é que o Senhor não lhes reserve o mesmo destino que teve um dos famosos sucessores na monarquia francesa, o rei Luís XVI. Esse imperador perdeu não apenas o chapéu, como também a própria cabeça.

Possa o Pai reacender em nossas mentes a chama da valorização da ética, erguendo nossas vidas como um luzeiro para iluminar esse mundo enegrecido pelas tintas do pecado. Somente assim cumpriremos o propósito que nos foi desenhado por ele: um ministério de tirar o chapéu! Que assim seja.

Observação

Pastores; existem pessoas (ovelhas) em suas igrejas com necessidades espirituais e materiais! Vocês acham que se eximem do fato de buscá-las pondo no telão a responsabilidade aos seus diáconos (homens que não vivem dos dízimos nem ofertas, e que tem que trabalhar para sustentar suas famílias, enquanto os senhores ficam desfilando de carrão/carro popular nem pensar/que soberba!).

Vocês já imaginaram Jesus hoje, com a miséria na vida de tantas pessoas e andando com uns carros deste valor, francamente.

Escrevo esta mensagem para sua (pr.) reflexão e deixo esta passagem: MEUS irmãos, muitos de vós não sejam mestres (pastores), sabendo que receberemos mais duro juízo. Tiago 3.1

Deus abençoe a cada um de nós, para que sejamos vitoriosos e saiamos dos crisóis da vida, tantos quantos vierem purificados, aperfeiçoados, no caráter de Cristo, sob a unção do Espírito Santo, o Consolador.

Eduardo Neves.



24 junho 2008

Falta de unidade

Deus abençoa uma igreja unida. Muitas igrejas têm um enorme potencial, mas nunca alçam o que Deus deseja porque os membros gastam toda a sua energia enfrentando-se uns aos outros. Toda a energia é focada para dentro.

A Bíblia fala mais sobre unidade da igreja do que sobre céu e inferno. Igrejas são feitas de pessoas e não há pessoas perfeitas. Por isso, as pessoas entram em conflito umas com as outras. Os pastores precisam aprender como lidar com essas situações. Eles são chamados a fazer seis coisas quando a desunião ameaça a igreja.

1. Evitar as situações que provocam polêmica. A Bíblia diz em 2 Timóteo 2.23,24 (NVI): “Evite as controvérsias tolas e inúteis, pois você sabe que acabam em brigas. Ao servo do Senhor não convém brigar mas, sim, ser amável para com todos, apto para ensinar, paciente”. Os pastores devem evitar provocar polêmica. Os líderes precisam ser exemplos para a igreja toda neste campo. Quando uma polêmica surgir, o pastor deve se recusar a se meter nela. Os líderes não precisam ter opinião sobre tudo. Algumas discussões não demandam sua participação. Converse sobre assuntos que importam.

2. Ensinar os criadores de caso a se arrependerem. A passagem de 2 Timóteo 2.25,26 (NVI) diz: “[O pastor] deve corrigir com mansidão os que se lhe opõem, na esperança de que Deus lhes conceda o arrependimento, levando-os ao conhecimento da verdade, para que assim voltem à sobriedade e escapem da armadilha do diabo, que os aprisionou para fazerem a sua vontade”. Muitos pastores não gostam de confrontação. No entanto, não há como escapar delas. O pastor deve, com toda a gentileza, instruir aqueles que estão criando dissensão e se opondo ao ensino da igreja.

3. Avisar aos criadores de caso que suas palavras negativas estão ferindo outras pessoas. Em 2 Timóteo 2.14,16 (NVI) encontramos: “Continue a lembrar essas coisas a todos, advertindo-os solenemente diante de Deus para que não se envolvam em discussões acerca de palavras; isso não traz proveito e serve apenas para perverter os ouvintes. Evite as conversas inúteis e profanas, pois os que se dão a isso prosseguem cada vez mais para a impiedade”. As pessoas precisam saber que suas palavras têm conseqüências.

4. Fazer um apelo à harmonia e à unidade. Paulo fez isso em Filipenses 4.2 (NVI). Ele escreveu: “O que eu rogo a Evódia e também a Síntique é que vivam em harmonia no Senhor”. Havia duas mulheres bem voluntariosas na igreja. Seus nomes eram Evódia e Síntique e estavam causando muita agitação na igreja. O apelo de Paulo para que elas se unissem aparece na Bíblia. Uma briga na igreja não afeta apenas os combatentes porque influencia a igreja como um todo, já que as pessoas acabam por escolher um dos lados. Assim como Paulo, às vezes o líder precisa fazer um apelo à unidade diretamente àqueles que estão causando problemas.

5. Repreender com autoridade, se necessário. Paulo diz em Tito 2.15–3.1:
É isso que você deve ensinar, exortando-os e repreendendo-os com toda a autoridade. Ninguém o despreze. Lembre a todos que se sujeitem aos governantes e às autoridades, sejam obedientes, estejam sempre prontos a fazer tudo o que é bom”. O pastor precisa confrontar a pessoa encrenqueira.

6. Tirar da igreja os encrenqueiros, se eles ignorarem as advertências anteriores. Tito 3.10,11 diz: “Quanto àquele que provoca divisões, advirta-o uma primeira e uma segunda vez. Depois disso, rejeite-o. Você sabe que tal pessoa se perverteu e está em pecado; por si mesma está condenada”. Nenhum pastor gosta de fazer isso, mas há situações em que o último recurso é tirar a pessoa da igreja. É dever do pastor proteger a unidade de sua igreja. Se isso significa livrar-se do criador de casos, faça-o.

A Bíblia ensina que, quando a igreja cresce, Satanás faz tudo o que pode para causar divisão. Mesmo gente bem intencionada, crentes inclusive, podem ser usados como instrumentos de Satanás para ferir o corpo de Cristo. Os pastores, como guias do povo de Deus, têm o dever de proteger suas congregações da maior ameaça de Satanás: a desunião. A tarefa do pastor não é fácil, mas ele é chamado a realizá-la.

Pr. Rick Warren - fundador da Saddle Back Church na Califórnia e autor do best-seller Uma Vida com Propósitos.

14 junho 2008

Profissão Pastor!


Tenho passado por momentos de reflexão, em que tenho saudades de tudo que marcou a minha vida. Quando me lembro do passado, sinto saudades de amigos que nunca mais vi, saudades da minha infância, da escola; bons tempos que ficaram na memória e infelizmente não voltarão.

Cresci em meio a muitas emoções, muitas lágrimas percorreram minha face, dor e alegrias permearam minha história, sensações inexplicáveis; tempos que pareciam nunca acabar.

Recordo-me de minha avó pegando sua bíblia e indo à igreja. Lembro das diversas vezes que o seu pastor chamado Abraão a visitava buscando saber da vida de todos nós, eram tardes muito agradáveis, sempre recheadas de orações e conselhos a luz das Escrituras Sagradas.

Este pastor tinha todas as aptidões de um anjo do Senhor, até hoje minha avó diz: Um verdadeiro homem de Deus! Abraão morreu há 18 anos (com 102 anos), pregando a Palavra de Deus e pastoreando uma igreja em Rondônia. Ela (avó) relembra que mesmo distante ele ligava para saber como estava toda nossa família.

Neste ponto eu me questiono: Bem, em relação às memórias do passado a única coisa que me intriga é: porque os pastores de hoje em dia não são como os de antigamente?

O Pastorado hoje é ministério ou se transformou em uma profissão?

I Cor. 9:14 Diz: "Assim ordenou também o Senhor aos que anunciam o evangelho, que vivam do evangelho".

Será que baseado neste versículo eles acham que esse VIVER seja relacionado ao MATERIAL... DINHEIRO... Tal viver, sendo profundamente analisado emite "existir, ter vida, comportar-se, portar-se, proceder, conservar-se do Evangelho... Propagar e viver o Evangelho em si... Teoria e Prática. Assim, como todos os "membros" da Igreja "VIVEM" do Evangelho, cabe o pastor também vivê-lo dessa forma... Pregar o Evangelho deve ser um ato de amor e não profissão.

Vejamos o que Paulo continua dizendo na mesma epístola e no mesmo capítulo:

“Mas eu de nenhuma destas coisas usei, e não escrevi isto para que assim se faça comigo; porque melhor me fora morrer, do que alguém fazer vã esta minha glória.
Porque, se anuncio o evangelho, não tenho de que me gloriar, pois me é imposta essa obrigação; e ai de mim, se não anunciar o evangelho!
E por isso, se o faço de boa mente, terei prêmio; mas, se de má vontade, apenas uma dispensação me é confiada.
Logo, que prêmio tenho? Que, evangelizando, proponha de graça o evangelho de Cristo para não abusar do meu poder no evangelho. I Cor 9:15 à 18”

Este pastor chamado Paulo não era PESADO para o rebanho de Cristo. Paulo trabalhava para seu sustento (fazia tendas)! “Ninguém vos engane”- diz o apóstolo Paulo - “com palavras persuasivas... e ninguém vos faça presa sua, por meio de filosofias e vãs sutilezas, segundo a tradição dos homens, segundo os rudimentos do mundo, e não segundo Cristo.” (Colossenses 2. 4- 8)

Existem pastores que mesmo tendo eles um discurso religioso e toda uma aparência espiritual são “pastores que apascentavam a si mesmos sem temor; nuvens sem água, levadas pelos ventos; árvores sem folhas nem fruto, duas vezes mortas, desarraigadas.“ (Judas 1. 12)

A palavra MINISTÉRIO significa SERVIÇO, ou seja, nenhum ministro está lá para ser servido, mas sim para servir o povo.

Qual é a promessa de Deus aos seus serviçais (levitas, sacerdotes, pastores)?

*Tomamos por empréstimo Israel e o Velho Testamento. Originalmente, "levita" significa "descendente de Levi", que era um dos 12 filhos de Jacó. Os levitas começaram a se destacar entre as 12 tribos de Israel por ocasião do episódio do bezerro de ouro. Quando Moisés desceu do monte e viu o povo entregue à idolatria, encheu-se de ira e cobrou um posicionamento dos israelitas. Naquele momento, os descendentes de Levi se manifestaram para servirem somente ao Senhor (Êx 32:26). Daí em diante, os levitas se tornaram ministros de Deus. Dentre eles, alguns eram sacerdotes (família de Aarão) e os outros, seus auxiliares. Embora os sacerdotes fossem levitas, tornou-se habitual separar os dois grupos. Seu serviço era cuidar do tabernáculo e de seus utensílios, inclusive carregando tudo isso durante a viagem pelo deserto (Números capítulos 3, 4, 8, 18). Cuidar da igreja e de Seu rebanho nesta viagem (vida) por este deserto (mundo).

Hoje muitos pastores não visitam mais as ovelhas!
Hoje muitos pastores não conhecem as pessoas que congregam em suas igrejas!
Hoje muitos pastores são como profissionais, só atendem em gabinete e hora marcada!Ou até por e-mail!
Hoje eles têm um “imenso” trabalho: 2 sermões semanais!
Hoje muitos pastores são coniventes (fingem-se de cegos) ao pecado de muitos para que o indivíduo não deixe sua “empresa” para o lucro não cair!

Tive o desgosto de conhecer vários destes que não tem coragem de se opor a iníquos dentro da igreja, que compram carros luxuosos (popular nem pensar), casas de milhares de reais, pagam faculdade de cinema para o filho ÍMPIO, dão uma vida de rei aos filhos ÍMPIOS (carros, casa e etc.) e muito mais.

É um verdadeiro Show do Milhão!!! Pastores Malaquianos a serviço deles mesmos!!!

Meus queridos existem milhares de irmãos nas “empresas” destes pastores que necessitam de ajuda (material & espiritual), e estes lobos só pensam neles próprios.

O povo de Deus é destruído, porque lhe falta o conhecimento!!! Povo este que tem medo destes devoradores que quando se sentem acuados, utilizam-se do púlpito e de seu microfone e abatem a ovelha desgarrada não tendo o mínimo de compaixão. Misericórdia eles tem de seus filhos ÍMPIOS e de seu bolso abastado.

Mas ainda escuto uma voz que me diz: “(...) E surgirão muitos falsos profetas, e enganarão a muitos” (Mt 24.11). (...) “Muitos me dirão naquele dia: Senhor, Senhor, não profetizamos em teu nome? e em teu nome não expulsamos demônios? e em teu nome não fizemos muitas maravilhas? E então lhes direi abertamente: Nunca vos conheci; apartai-vos de mim, vós que praticais a iniqüidade”. (Mt 7.22-23)

"E também haverá entre o povo falsos profetas, como entre vós haverá também falsos doutores, que introduzirão encobertamente heresisas de perdição, e negarão o Senhor que os resgatou, trazendo sobre sí mesmos repentina perdição. (...) E por avareza farão de vós negócio com palavras fingidas, (...) e a sua perdição não dormita” Mt 10.8;(Pe 2.1-3. Judas, 3-19).

Tenho muita saudade de uma época que não volta mais...

Eduardo Neves.