Fonte: Introdução Bíblica - Norman Geisler & Willian Nix / Ed. Vida.
Eduardo Neves
Nascido na principal cidade da Cilícia e capital da província romana da Síria-Cilícia; criado e instruído ao redor dos melhores mestres da Lei Mosaica, nosso personagem era alguém que seguia o Judaísmo com seriedade e zelo, como ele mesmo dizia: “hebreu de hebreus; segundo a lei, fui fariseu” (Fp 3.5-6).
De perseguidor de cristãos transforma-se no mais incontestável missionário de Jesus Cristo, destacando-se com papel vital no crescimento e estabelecimento da igreja. Sua interpretação e aplicação da graça de Deus em Cristo é a maior obra hermenêutica já vista, pelo simples fato de que ele continua a nos ministrar até hoje. Sabia distinguir bem o incrível do que era explicável, o acreditável do inacreditável; suas 13 epístolas constituem quase um quarto do Novo Testamento.
Tinha consciência de seu chamado divino e autoridade apostólica; e da mesma forma era visto pelos demais apóstolos, como diz Pedro se referindo a sabedoria deste primoroso evangelista: “E tende por salvação a longanimidade de nosso Senhor; como também o nosso amado irmão Paulo vos escreveu, segundo a sabedoria que lhe foi dada;
Falando disto, como em todas as suas epístolas, entre as quais há pontos difíceis de entender, que os indoutos e inconstantes torcem, e igualmente as outras Escrituras, para sua própria perdição”. 2 Pe 3.15-16
Estamos falando de Paulo de Tarso, um estudioso nas Escrituras Sagradas que teve de lidar com questões éticas na igreja, como um simples corte de cabelo, e complicadas, como é o incesto. Não viveu na teoria, mas sua Teologia era exercitada pelo fervor e amor ao Deus que servia; sabia o que fazia por experiência própria, declarando ao mundo a salvação em Cristo Jesus. O apóstolo Paulo (que também se chama Saulo) aconselhava os cristãos que vivessem de forma peregrina, exatamente o contrário do que ocorre hoje em nossas igrejas, tão identificadas com o mundo circunvizinho pervertido e cruel.
“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” Gl 2.20
Conversão ou Chamado? De perseguidor a perseguido!
Aquilo era meramente a maior aberração religiosa que ele já ouvira. Ele não conseguia entender como é que um indivíduo de mente sã confiava naquilo. Aquela história parecia impossível, ridícula.
Mas essa ilusão a respeito de Jesus de Nazaré... que era mesmo que diziam a Seu respeito? Que Ele era um homem bondoso, curava muitos enfermos e operava sinais nunca vistos antes, isto Paulo não negava. Daí alguns afirmarem ser Ele o “Cristo de Deus” era só o que faltava, uma verdadeira abominação aos seus olhos –[via Jesus como maldição, pois Este fora condenado à morte de cruz (Dt 21:22,23)]-; tornou-se então, um ferrenho perseguidor daqueles que professavam esta afirmação a Jesus Cristo. Até que então:
“E Saulo, respirando ainda ameaças e mortes contra os discípulos do SENHOR, dirigiu-se ao sumo sacerdote.
E pediu-lhe cartas para Damasco, para as sinagogas, a fim de que, se encontrasse alguns daquela seita, quer homens quer mulheres, os conduzisse presos a Jerusalém.
E, indo no caminho, aconteceu que, chegando perto de Damasco, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu.
E, caindo em terra, ouviu uma voz que lhe dizia: Saulo, Saulo, por que me persegues?
ele disse: Quem és, Senhor? E disse o Senhor: Eu sou Jesus, a quem tu persegues. Duro é para ti recalcitrar contra os aguilhões.
E ele, tremendo e atônito, disse: Senhor, que queres que eu faça? E disse-lhe o Senhor: Levanta-te, e entra na cidade, e lá te será dito o que te convém fazer.
E os homens, que iam com ele, pararam espantados, ouvindo a voz, mas não vendo ninguém.” At 9.1-7
O encontro de Paulo com Cristo simplesmente transformou-o em um distinto instrumento nas Mãos de Deus, alguém que, à semelhança de Isaías e Ezequiel profetas no Antigo Testamento desempenharam. Essa revelação do Senhor ao apóstolo foi essencialmente basilar para a missão de levar aos gentios o Evangelho de Cristo.
O episódio de sua conversão e a decorrência deste acontecimento teve um papel fundamental na formação de grande parte da Teologia de Paulo. Sua Cristologia reside no fato de que Jesus Cristo é o Senhor, e sem essa convicção, tudo o mais não teria sentido. 
“E toda a língua confesse que Jesus Cristo é o SENHOR, para glória de Deus Pai”.
Fp 2.11
“Porque nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade”;
Cl 2.9
*Quando um escritor do Novo Testamento nos diz que “há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens”, não afirma que esse Mediador seja um tipo intermediário de ser, pois logo conclui que ele é “Cristo Jesus, homem”. Jesus não era um ser entre Deus e Homem: ele era Deus e Homem.
*Cerfaux,L.Cristo na teologia de Paulo.São Paulo:Teológica,2002./pág. 94.
Ide e Pregai o Evangelho!
Paulo ignorou os perigos que o ameaçavam e cumpriu seu encargo levando aos gentios o Evangelho de Cristo, completou sua carreira missionária de forma esplendorosa e conservou o mais importante que era sua fé. O apóstolo vivia Cristo, Ele era uma realidade irrefutável para Paulo, e isto ele pregava. Por todas as localidades que visitava, tanto governadores quanto reis, magistrados e excluídos ficavam sabendo que ele estivera por lá, e poucos eram que permaneciam indiferentes. O escravo Onésimo é um exemplo disso; foragido de seu senhor, encontrou-se com Paulo, que estava preso em Roma e de quem recebeu a mensagem do Senhor.
Não que todos os ouvintes da pregação de Paulo tornassem cristãos; longe disso! Todavia, a situação ficava bem definida: eles aceitavam ou rejeitavam a Jesus Cristo. Daí os apedrejamentos, as chicotadas, as prisões e toda perseguição; a mensagem que Paulo pregava trouxe conflito entre a Palavra de Deus e a vida exterior do homem.
*Sua mensagem não consiste em pura e simples comunicação verbal. O Evangelho que ele proclama não se reduz a informar sobre a gratuita iniciativa de Deus e sobre o acontecimento da morte e ressurreição de Jesus de Nazaré. É sobretudo a palavra de Deus e de Cristo.
*Giuseppe Barbaglio. São Paulo, o homem do Evangelho,p.107.
Paulo pregava que a vida cristã é um chamado à liberdade; sem necessitar dos rituais que muitos procuravam se justificar pela lei, assim afastando-os da graça de Cristo. Doutrinava a igreja permanecer firme em Cristo e aguardar no Espírito a esperança da justiça.
“Estai, pois, firmes na liberdade com que Cristo nos libertou, e não torneis a colocar-vos debaixo do jugo da servidão.
Eis que eu, Paulo, vos digo que, se vos deixardes circuncidar, Cristo de nada vos aproveitará.
E de novo protesto a todo o homem, que se deixa circuncidar, que está obrigado a guardar toda a lei.
Separados estais de Cristo, vós os que vos justificais pela lei; da graça tendes caído.
Porque nós pelo Espírito da fé aguardamos a esperança da justiça”.
Gl 5.1-5
Cronologia das viagens de Paulo
1°Viagem
Roteiro de ida:
CIDADE
EVENTOS
de Antioquia Síria ao
Porto Selêucia (25 km)
- Ponto de partida: ilha de Chipre, terra de Barnabé, a chamada “Ilha Feliz” – rica e bela;
de Selêucia a
Salamina (100 km)
- Atravessam a ilha de Salamina a Pafos, pregando nas sinagogas (130 km);
- Não menciona a resposta das pessoas ao evangelho;
em Pafos (capital da província)
- Evangelização do procônsul Sérgio Paulo;
- Oposição do mágico judeu Barjesus (ou Elimas): a derrota das trevas;
de Pafos a Atalia
- 240 km de navegação
de Atalia a
Perge, capital da Panfília (10 Km)
- Mudanças na equipe:
- Deserção de João: volta para Jerusalém;
- Paulo assume a liderança da equipe;
de Perge a Antioquia da Pisídia, cidade principal da Galácia (160 Km, 1000 m altitude)
- Dificuldades: caminho difícil e perigoso (2 Co 11.26); enfermidade física (Gl 4.13); povo depravado e hostil;
- Pregação na sinagoga: sermão de Paulo;
- “afluiu quase toda a cidade”: propagação da fé;
- duas resações: conversão de judeus e prosélitos e perseguição e expulsão da cidade;
- Paulo e Barnabé sacudiram o pó dos pés;
de Antioquia a Icônio (140 km )
- Centro agrícola e cruzamento de rotas;
- Pregação na sinagoga;
- Operação de sinais e prodígios; muitos crêem;
- Perseguição de judeus;
- ameaça de apedrejamento;
- Fuga para Listra (Mt 10.23: perseguição e fuga);
de Icônio a Listra (30 Km)
- Não havia sinagoga: pregação ao ar livre;
- Cura do paralítico de nascença;
- Idolatria: Júpiter (Zeus) e Mercúrio (Hermes);
- Público pagão: pregar a partir da compreensão;
- Perseguição de judeus de outras cidades;
- Paulo é apedrejado e gravemente ferido (2 Co 11.23; Gl 6.17 – marcas; 2 Tm 3.11);
de Listra a Derbe (100 km)
- Pregação do evangelho; muitas conversões;
- Poderiam ter tomado o caminho mais curto de volta;
Roteiro de volta:
CIDADE
EVENTOS
ß Listra ß
- Ministério de fortalecer os novos crentes;
- Organização de igrejas;
- Eleição de presbíteros;
ß Icônio ß
ß Antioquia Pisídia ß
ß Perge ß
- Pregação do evangelho;
ß Atália ß
- Porto de volta para Antioquia;
ß Selêucia ß
- Porto de chegada;
Antioquiaß
- Apresentação do relatório à igreja;
2°Viagem


Crítica Redacional
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Dicionário de Religiões, Crenças e Ocultismo


Este é o nome do suposto “mensageiro celestial” que Joseph Smith- fundador do mormonismo -afirmou ter visitado pela primeira vez em 1823. Numa série de visitas, Morôni deu-lhe instruções, para que pudesse localizar as “placas de ouro”, as quais, depois de traduzidas, tornaram-se o livro de mórmon.
Refutação Bíblica:“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” Gl 1:8
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